Parentes de vítimas de ex-GM batalham por indenização na Justiça
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segunda-feira, 08 de abril de 2019
Rafael Machado - Grupo Folha 

A Procuradoria Jurídica da Prefeitura de Londrina questionou no final de março os argumentos apresentado pela defesa da família de Rachel Espinosa na ação de indenização de danos morais e materiais pelas mortes de seu pai, Valdir Adalberto Siena, e do filho de 17 anos, Vitor Espinosa Gouveia Siena dos Reis, praticadas pelo ex-guarda municipal Ricardo Leandro Felippe.
Os crimes aconteceram em abril de 2017, mesma data em que o acusado, encontrado morto em outubro de 2018 em uma das celas da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2), também assassinou Ana Regina do Nascimento Ferreira, 34, que era sócia de outra ex-namorada.
No recurso, a administração municipal justificou que os homicídios foram cometidos enquanto Felippe não estava trabalhando como agente.
"Os fatos em nada se relacionam com as atribuições públicas do réu e, quando praticados, ocorreram fora de suas funções, sem a incidência de qualquer atividade de atendimento ao público", escreveu a procuradora Renata Fernandes Silva.
Ela também classificou o pedido de indenização de R$ 10 milhões como "desproporcional". O processo tramita na 2ª Vara da Fazenda Pública de Londrina, sob titularidade do juiz Emil Gonçalves.
Segundo o advogado Marcelo Aparecido Camargo, que defende os familiares de Rachel, o andamento estava suspenso até a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná que determinou a assistência judiciária gratuita aos parentes das vítimas. Os valores variam entre R$ 1,8 mil e R$ 1,9 mil por pessoa beneficiada.
Para ele, a prefeitura foi avisada de medidas que impediam a proximidade de Ricardo Felippe da ex-companheira. "A juíza da 6ª Vara Criminal, Zilda Romero, havia proibido dele sair armado do Tiro de Guerra, onde dava aulas de instrução de tiro. O Município também tinha sido notificado de que ele não poderia se aproximar da Rachel, ou seja, foi negligência total do poder público", comentou.
Dois anos após a tragédia, Camargo lembrou que "não houve qualquer contato para saber se estava tudo bem com ela (Rachel). A família está pagando do próprio bolso o tratamento psiquiátrico e psicológico, além dos remédios, que são caríssimos", disse.
Ricardo Felippe foi preso pela Polícia Civil em Maracaí, cidade do interior de São Paulo localizada a 130 km de Londrina. Com a morte dele, as acusações criminais foram extintas na Justiça.


