Parentes de Iruan começam aproximação
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
Porto Alegre, RS- O menino Iruan Ergui Wu, de oito anos, aproveitou ontem seu primeiro dia de volta ao Brasil, furou balões, jogou videogame, acionou carrinhos e helicópteros com controle remoto e usou uma mangueira para molhar primos e tios no jardim da casa da sua avó, em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. Enquanto isso familiares brasileiros e taiwaneses ensaiavam os primeiros passos de uma aproximação que tende a ser lenta e dolorosa.
Na primeira tentativa, as tias do garoto Patrícia Ergui Tavares, brasileira, e Lee Hson Hua, taiwanesa, trocaram cumprimentos carinhosos em local neutro, a Escola Comunitária Martinho Lutero, em Canoas. Na pauta do encontro estavam um acompanhamento à distância, pela escola taiwanesa onde Iruan estudava, da readaptação aos métodos de ensino brasileiros, e negociações para a manutenção do contato do garoto com os parentes orientais.
Os integrantes da Comissão Interinstitucional pelo Retorno de Iruan ao Brasil que viram o reencontro do menino com a família materna, quinta-feira, no aeroporto Salgado filho, saíram convictos de que os laços com a família paterna não devem ser cortados. Iruan abraçou a avó Rosa Leocádia Ergui, o meio-irmão João, tios e primos, mas não escondeu o desespero ao ver que a tia Lee Hson Hua estava saindo de sua vida quando deixou a sala reservada do aeroporto para ir ao hotel. Precisou de mais de uma hora para ser consolado.
O drama de Iruan começou em março de 2001. Já órfão de mãe Marisa Ergui Tavares ele vivia com a avó em Canoas, RS, e foi levado a Taiwan pelo pai, o marinheiro Teng-Shu Wu para conhecer familiares. O pai morreu poucos dias depois, de um mal súbito, e o tio Huer Eam Wu decidiu reter o garoto na ilha. Depois de quase três anos, Rosa Leocádia viu seu direito à guarda reconhecido pela Justiça taiwanesa em dezembro de 2003.


