Miami, 10 (AE-AP) - Após meses negando-se a devolver o garoto cubano Elián González a seu pai, o tio-avô do menino reuniu-se nesta segunda-feira (10) com psiquiatras designados pelo governo dos Estados Unidos para discutir como fazer as mudanças sem traumatizar Elián.
A reunião durou apenas uma hora, apesar de o governo ter sugerido que ela poderia durar até três horas. As partes envolvidas não ofereceram nenhuma explicação imediata, mas Ed Rosasco, presidente do hospital onde ocorreu o encontro, disse que a reunião teve um tom cordial.
Antes da reunião, os familiares de Miami cogitaram não ir ao encontro, marcado para as 13h30 locais. Mas depois informaram que compareceriam.
No entanto, às 16h, os dois psiquiatras, um psicólogo e funcionários do Serviço de Imigração e Naturalização (INS, por sua sigla em inglês) dos Estados Unidos ainda esperavam.
A porta-voz do INS, Maria Cardona, disse que a família de Lázaro González, tio-avô de Elián, pediu para que o encontro fosse realizado no Mercy Hospital, em Miami, para que sua filha adoecida, Marisleysis, pudesse participar e porque ele não queria deixá-la só.
A jovem, que serviu como mãe substituta de Elián, está internada desde sábado por tensão e estresse. "Este é mais um exemplo de o governo fazendo todo o possível pelo bem-estar de Elián", disse Cardona.
A agência acatou o pedido, disse a porta-voz, e a reunião foi iniciada depois das 17h (18h em Brasília).
A secretária de Justiça Janet Reno considerou a reunião como o primeiro passo de uma última etapa necessária para reunir o garoto com seu pai.
O pai de Elián, Juan Miguel González, chegou a Washington quinta-feira, em vôo proveniente de Cuba, e reuniu-se ontem com os dois psiquiatras e uma psicóloga.
O garoto não participou da reunião de hoje. Os familiares de Miami deixaram claro seu descontentamento com o fato de os psiquiatras não avaliarem o garoto de seis anos de idade durante encontro no Jackson Memorial Hospital. Eles disseram que se o examinassem, chegariam à conclusão de que ele não deve ser devolvido ao pai.
No fim da tarde, a família ingressou com sua apelação de uma decisão da justiça federal que confirma a decisão da agência de imigração de enviar Elián de volta a Cuba. A apelação foi impetrada pouco minutos antes do prazo final, disse o escrivão Chris Basnett.
Ao mesmo tempo, a corte estadual à qual os parentes de Miami recorreram em sua última tentativa de manter a custódia de Elián esclareceu que as alegações dos familiares tinham pouco mérito legal. A juíza Jennifer D. Bailey não apresentou nenhuma decisão. Em contrapartida, ela ordenou os parentes de Miami a apresentarem um documento amanhã pela manhã explicando o motivo pelo qual ela teria de ouvir o caso.
Ainda hoje, o Departamento de Estado indicou que pode dar vistos para alguns dos 22 cubanos que haviam solicitado ir aos EUA com Juan Miguel para reunir-se com Elián. Entre os 22 estão colegas de escola do menino.

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