Parentes de Elián não entregarão custódia ao pai
Miami, 31 (AE-AP) - Os parentes de Miami de Elián González não entregarão a custódia do menino para o pai - mesmo se ele vier para os Estados Unidos para esperar o resultado de uma batalha legal envolvendo o menino de seis anos, disseram advogados da família nesta sexta-feira (31).
A família deixaria o pai de Elián, Juan Miguel González, visitar Elián na casa dela em Little Havana, mas, segundo os parentes, o garoto de seis anos estaria com medo de ser castigado pelo pai, disse o advogado Manny Diaz.
Elián "expressou temor de estar com seu pai", garantiu Diaz.
A família sente que se Elián for arrancado da casa dela, seu bem-estar ficaria comprometido, afirmou ele. "Ele está com medo de ser punido", disse Diaz.
"A família daria boas-vindas a ele em sua casa e se sentariam como uma família e conversariam sobre o que Elián passou e o que está experimentando e tomariam uma decisão como família sobre o que é melhor para a criança neste momento", acrescentou.
O pai de Elián pediu para entrar nos Estados Unidos, e isto pode vir a complicar negociações sobre a custódia do menino entre os parentes de Miami e o governo dos Estados Unidos.
Armando Gutierrez, um porta-voz dos parentes, disse que a estratégia do pai de Elián estava "prejudicando" as conversações com o Serviço de Imigração e Naturalização (INS, por sua sigla em inglês), que foram suspensas até a semana que vem sem um acordo. Ele não entrou em detalhes.
"Como a família, estamos monitorando os desdobramentos da possível chegada de Juan Miguel González aos Estados Unidos", afirmou o diretor do INS em Miami, Robert Wallis.
Enquanto o futuro do garoto de seis anos continua incerto, o INS concordou em promover novas conversações com os parentes de Miami na segunda-feira. A agência quer garantias por escrito de que eles entregarão Elián caso percam a batalha judicial que travam para mantê-lo nos EUA.
A agência de imigração anunciou que irá revogar o status de residência provisória do menino se os parentes não assinarem o documento, mas recuou por duas vezes esta semana de um prazo final estipulado.
Enquanto isto, dezenas de ativistas anti-Fidel Castro formaram uma corrente humana na frente da casa dos parentes do menino em Miami, praticando técnicas de resistência.
"Não deixaremos que os direitos civis de Elián sejam violados", disse Ramon Saul Sanchez, líder do Movimento Democrático, anti-Fidel.
Hoje, Juan Miguel González rechaçou qualquer possibilidade de mudar-se para os Estados Unidos e criticou, em carta aberta publicada em Cuba, a iniciativa do Congresso norte-americano de conceder a ele e a toda a sua família vistos de residência permanente.
Ao mesmo tempo, o advogado de González nos EUA, Greg Craig, anunciava que seu cliente e a família esperavam receber rapidamente vistos de entrada nos EUA e pretendem permanecer no país apenas o tempo suficiente para que a Justiça americana se decida sobre o caso.
"Não conheço nenhum indício de que Juan Miguel González esteja disposto a desertar ou a mudar-se para os Estados Unidos", disse Craig.
O Departamento de Estado, por meio do porta-voz James Foley, anunciou ontem estar disposto a apressar o visto de entrada do pai de Elián para que ele acompanhasse de perto a batalha legal pela custódia do garoto entre ele e um de seus tios que vivem na Flórida, Lázaro González.
Elián foi resgatado na costa da Flórida depois de sobreviver a um naufrágio que causou a morte da mãe dele - separada do pai - e de outros dez cubanos que pretendiam entrar ilegalmente nos EUA.
Com o apoio do governo de Cuba, o pai pediu a repatriação do menor que, a esta altura, já se havia tornado símbolo do exílio cubano pela comunidade cubano-americana de Miami.





