São Paulo, 5 (AE) - O clima no enterro do metalúrgico Aparecido Ribeiro Martins, de 49 anos, e sua mulher, a dona de casa Luzia Martins, de 51, foi de emoção, conformismo e perplexidade. Para parentes e amigos do casal, só existe um culpado pelo acidente com o lotação, que provocou a morte dos dois ontem (4) em Santo Amaro: a Prefeitura. Eles não culpam o perueiro. O enterro foi às 13 horas, no Cemitério Parque dos Girassóis, em Parelheiros.
O operador de sistemas Roberto Ribeiro Martins, de 39 anos, irmão de Aparecido, disse que a família vai tomar medidas para punir a Prefeitura e a Guarda Civil Metropolitana (GCM). Segundo ele, a família está chocada e o casal sempre tomava lotação.
Para Roberto, o perueiro Thomaz Edson Munhoz Martins, que dirigia a van, é o menos culpado pelo acidente, pois estava tentando "ganhar o pão de cada dia". Roberto afirmou que sua raiva é contra o transporte público de São Paulo, caro e deficitário. "Acredito que o perueiro agiu (na fuga) por causa da pressão da guarda", afirmou. "Se não fosse a violência da guarda nada teria acontecido", disse. "Acredito que houve perseguição, com certeza." "Esse acidente poderia ter acontecido com qualquer profissional." Outro irmão do metalúrgico, Antônio Ribeiro Martins, de 46 anos, estava em estado de choque. Ele havia sofrido um derrame três dias antes. No enterro, chorava muito.
Segundo Claudio Aparecido Ribeiro, de 29 anos, filho mais velho do casal, Aparecido ia se aposentar daqui a um mês e a família planejava mudar para o Paraná para ter mais paz e fugir da violência em São Paulo. Ele e outro irmão, Luiz Ribeiro Martins, de 24 anos, pretendem cuidar dos irmãos mais novos, de 18, 15 e 9 anos.
Luiz disse que vai continuar tomando lotação, mesmo clandestina, pois onde mora é o único meio de transporte. Nunca alertaram os pais sobre a questão dos perueiros, porque eles sempre queriam ajudar pessoas, e conheciam o menino e o motorista de vista. "A notícia foi um terror, meus pais eram pessoas maravilhosas".", afirmou. "Mesmo que a gente consiga alguma indenização, nada vai trazê-los de volta."
Até as 13h30, o corpo de Maria do Carmo Martins, a terceira vítima do acidente, não havia sido liberado IML, por causa dos problemas decorridos da troca de documentos.

mockup