São Paulo, 24 (AE) - O governo não pretende fechar o acordo emergencial do setor automotivo sem a participação dos Estados. O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, disse hoje que sem a renúncia fiscal de todos os Estados não há como baixar os preços dos carros, o suficiente para obter o aumento de vendas necessário à manutenção e arrecadação. "Se uma das partes não entra não chegamos ao objetivo final, que é o aumento no volume de vendas", disse Parente. Segundo o secretário, a decisão final será do presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas, disse, até agora o ministério não recebeu nenhuma orientação para fechar o acordo por adesão de cada Estado, segundo proposta dos sindicalistas.
Nesta sexta-feira indústria, trabalhadores e governo voltam a se reunir em São Paulo para tentar fechar o acordo emergencial, que prevê redução de IPI, de ICMS e descontos das montadoras para reduzir os preços dos carros entre 11% e 13%. Esperando o aumento das vendas, o setor se compromete em não demitir durante 90 dias.
O acordo emergencial, que congelaria preços durante 60 dias não foi fechado até agora por falta de adesão do governo de Minas Gerais, um dos três produtores de carros. Não houve também consenso na reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
Estabilidade - O aumento no superávit primário que o governo quer atingir não representa uma promessa ao FMI, mas uma necessidade de garantir uma estabilidade entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB), segundo Parente. Ele não adiantou, porém, como e nem quando o governo vai alcançar esta meta.
Parente discordou da necessidade do superávit ter de ser maior. "Não podemos prometer o que não vamos entregar, porque isto afeta a credibilidade", explicou. O governo quer elevar o superávit primário de 2,7% para 3,5% do PIB. "De que adianta dizer que conseguimos passar de 4% do PIB, que conseguimos um resultado primordial só para impressionar?", questionou.
O secretário negou que haverá corte de investimentos e disse que a elevação não virá por meio de pacote e nem tampouco com aumento de Imposto de Renda. "Não haverá surpresas e não queremos onerar ainda mais a sociedade e o setor produtivo", completou.
Parente participou hoje de três encontros com grandes empresários em São Paulo. Pela manhã, esteve com representantes de indústrias européias e asiáticas. À tarde reuniu-se com representantes de grandes grupos americanos. Os participantes não autorizaram a divulgação dos seus nomes e nem das empresas que representam. Entre as cerca de 40 pessoas que estiveram na Câmara Americana de Comércio, destacam-se empresários dos setores de telecomunicações, autopeças e indústria automobilística.

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