Parente nega que equipe esteja analisando reajuste de 6% no salário mínimo
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 18 (AE) - O ministro interino da Fazenda, Pedro Parente, negou hoje que a equipe econômica esteja estudando o reajuste de até 6% no salário mínimo, a partir de 1º de maio. A hipótese fora levantada ontem (17) por parlamentares do PSDB, depois de uma reunião, no Palácio da Alvorada, com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Estamos hoje voltados para a aprovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e não há
na área técnica, nenhum estudo em relação a reajuste do salário mínimo", disse Parente, depois de participar, pela manhã, de um seminário na Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Parente ressaltou que o aumento do mínimo teria impacto não apenas na Previdência, mas também no déficit público dos Estados, que têm uma grande parcela da folha de pagamentos atrelada a ele. "O Ministério da Fazenda não participou de nenhuma reunião ou estudo para discutir este assunto e o normal é que isto ocorra próximo ao período de reajuste, que é maio", desconversou. O aumento do salário mínimo, que pode colocar em risco as metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), é hoje um dos maiores pontos de discussão política no governo.
A volta do gatilho salarial, defendido por entidades sindicais como mecanismo de manutenção do poder de compra da população, está descartada, segundo Parente. "Não achamos razoável repetir erros históricos e, por isso, somos frontalmente contra a reindexação salarial", disse o ministro. Ele argumentou que o uso do gatilho ou de qualquer instrumento semelhante, neste momento, propiciaria o retorno permanente da indexação da economia, que é justamente o que o governo tenta evitar.
"O período que estamos vivendo, em decorrência de mudanças no regime cambial, será tão mais curto quanto menores forem os repasses a salários e a preços", defendeu Parente, alegando que a indexação dos salários à taxa de inflação serviria apenas para elevar mais ainda as taxas, sem proteger de fato o poder de compra do salário. A meta do governo, segundo ele, é manter o controle da inflação a "níveis aceitáveis" e tentar preservar a estabilidade econômica. Quanto à política salarial, a livre negociação continua a ser a linha-mestra do governo.


