Parente diz que não interessa a aliados que governo vá mal
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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Alberto Fernandes e João Caminoto (especial para a AE) 
Londres, 05 (AE) - O ministro da Casa Civil, Pedro Parente, que participou hoje com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, do seminário "Investing in Brazil" no centro de conferências do Departamento de Comércio e Indústria do governo britânico, em Londres, disse que o processo de desvalorização do real e o aumento de tarifas contribuíram para que em agosto passado houvesse um "esgarçamento" da base de apoio do governo no Congresso. "Isso criou condições para que a oposição tentasse se mobilizar. Mas depois disso, na minha visão, os partidos da base de apoio governista perceberam que a nenhum deles interessa que o governo vá mal", disse Parente.
Segundo Parente, não são os partidos de apoio ao governo que capitalizarão a hipótese de o governo ir mal. "Pelo contrário, interessa a eles que em termos nacionais o governo vá bem". "Por isso tivemos condições de arregimentar os partidos da base política aliada", declarou.
Parente disse também que há grandes chances de aprovação
ainda este ano, da Lei de Responsabilidade Fiscal. Ele espera ainda para 1999 a aprovação da prorrogação da alíquota de 27,5% no Imposto de Renda de Pessoa Física e da lei que modifica a forma de cálculo dos benefícios previdenciários. O ministro da Casa Civil afirmou que os principais pontos na agenda legislativa são essas leis, além de duas emendas constitucionais: a prorrogação do FEF e a contribuição previdenciária do setor público.
De acordo com Parente, está havendo aumento de eficiência na economia e que este é o mesmo tipo de condição que permitiram aos EUA crescerem sem inflação. Ele afirmou que é muito cedo para se falar num candidato governista à sucessão presidencial. "Nós já vimos casos de candidatos que saíram de 2% ou 4% nas pesquisas para ganhar as eleições em quatro ou cinco meses. É muito cedo". Em relação à oposição, "temos que ver de fato quem são os candidatos. Alguns nomes bastante originais estão aparecendo, como o de Lula, por exemplo", ironizou Parente.


