Brasília, 19 (AE) - O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, criticou hoje, ao transmitir o cargo de ministro do Orçamento e Gestão para o secretário-executivo do ministério
Martus Tavares, aqueles que classificam como fraqueza do presidente Fernando Henrique Cardoso a demora na formação da nova equipe ministerial e afirmou que "o governo precisa funcionar melhor".
Na cerimônia, à qual compareceram principalmente familiares do novo ministro e burocratas, não houve brincadeiras entre Parente e Tavares, companheiros nas áreas técnicas da Fazenda e do Planejamento há pelo menos dez anos.
"Parece-me clara uma frequente e forte preocupação - ou quem sabe a mania - de procurar os defeitos, os eventuais deslizes, as chamadas hesitações do processo", disse Parente, no discurso, referindo-se às análises feitas durante a formação do novo ministério. "Sinceramente, não posso entender por que parcela tão significativa dos chamados formadores de opinião se preocupa mais a torcer contra do que em, efetivamente, analisar os acontecimentos." Tavares fez o discurso reafirmando a orientação do presidente Fernando Henrique Cardoso, de promover o crescimento econômico, sem perder de vista o ajuste nas contas públicas. Ele disse que foi orientado a, juntamente com Parente, "mobilizar todo o governo" em torno do Plano Plurianual (PPA), que contém os projetos considerados prioritários para o desenvolvimento econômico.
Ao iniciar o discurso, Tavares afirmou que tomaria cuidado para não errar o nome do ministério - referindo-se à gafe cometida no início do ano por Parente que, ao assumir o Ministério do Orçamento e Gestão, agradeceu ao presidente o "honroso cargo de ministro da Fazenda". Parente respondeu que não tinha problema. "Você não será o primeiro", disse. O PPA ganhará um novo nome, assim como o ministério a ser conduzido por Tavares. Antes da reforma, ele chamava-se Ministério do Orçamento e Gestão, ou MOG. Fernando Henrique havia reclamado das duas siglas. O ministério agora é do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Sob a estrutura, ficarão duas secretarias extintas na reforma: a de Administração e Patrimônio e a de Planejamento e Avaliação - que, até a semana passada, estava subordinada ao Ministério da Fazenda. A administração da folha de pessoal da União, portanto, permanecerá no ministério. Não está definido, porém, se Tavares comandará os Institutos de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subordinados à Secretaria de Planejamento e Avaliação.

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