As vítimas da explosão da fábrica clandestina de fogos recorreram às cenas de guerra e aos filmes de terror para explicar a tragédia registrada hoje à tarde na periferia de Santo Antonio de Jesus. ‘‘Parecia coisa do outro mundo’’, disse a doméstica Maria Antonia Fernandes, 42. No momento da explosão, a doméstica estava fazendo o almoço na casa onde trabalha, localizada a 300 metros dos galpões atingidos pela explosão. ‘‘Ouvi um estrondo muito forte e pensei que ia morrer. Quando olhei para a rua vi apenas muita poeira e uma fumaça intensa.’’
Ferida levemente no rosto, a comerciante Carla Barreto disse que o desespero das pessoas dificultou o atendimento às vítimas mais graves. ‘‘As pessoas corriam desesperadamente de um lado para outro gritando por Deus e chorando muito.’’
Após a explosão, os corpos dos mortos ficaram estendidos no chão no galpão por mais de duas horas até serem recolhidos. ‘‘Foi a pior cena que assisti em minha vida. No desespero, as pessoas pisavam em cima de corpos mutilados, sem braços e cabeças’’, disse o aposentado José Magalhães Oliveira.
Para facilitar o trabalho de remoção das vítimas, policiais de Santo Antônio de Jesus interromperam o tráfego nas principais ruas do município. Ambulâncias e médicos de municípios vizinhos foram requisitados para prestar socorro aos feridos.

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