Parecer favorável da comissão de comércio exterior sobre aço
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 03 (AE) - O conflito comercial do aço, entre o Brasil e a Argentina, poderá estar perto do fim: a Comissão Nacional de Comércio Exterior anunciou um parecer favorável ao compromisso acertado pelas empresas siderúrgicas brasileiras (Usiminas, Cosipa e CSN) com a argentina Siderar. Com este parecer, poderiam ser removidas as medidas anti-dumping contra as importações de laminados de aço a quente. Isso, no entanto, dependerá da decisão final do secretário de Indústria e Comércio da Argentina, Alieto Guadagni, que poderia anunciá-la nos próximos dias.
O compromisso estipulado entre empresas brasileiras e argentinas estabelece cotas para a entrada de aço brasileiro. No primeiro ano de vigência do acordo serão permitidas 36 mil toneladas de chapas a quente. No segundo ano 38 mil toneladas; e no terceiro, 39 mil. Após o terceiro ano, teoricamente o comércio ficaria livre, e não seria restrito à cotas. Segundo o compromisso, também ficaria fixado um preço mínimo para o aço brasileiro, de US$ 325 a US$ 365 a tonelada, dependendo do tipo do produto. Uma cláusula no acordo prevê que após 18 meses de sua aplicação, as empresas brasileiras poderiam abandonar o acordo.
Os frangos brasileiros continuam tendo restrições, mas já estão podendo entrar na Argentina: a alfândega deste país liberou sua entrada para o mês dezembro, mas somente para cumprir a cota de 3.742 toneladas mensais estipuladas pelo juiz federal Juan José Papetti.
No momento, o ministério da Economia argentino, que discorda da medida do juiz federal, está tentando suspender na Justiça a medida de Papetti. As cotas estabelecidas pelo juiz prevalecerão até que a subsecretária de Comércio Exterior conclua o longo processo de investigação sobre a existência de dano na produção argentina de frangos, que - segundo os produtores argentinos - teria sido causado por um hipotético aumento da importação dos frangos provenientes do Brasil. Calcula-se que todo o processo poderá estar concluído em fevereiro.
Os produtores argentinos sustentam que está ocorrendo uma invasão de frangos brasileiros. Os brasileiros retrucam, e sustentam que a venda de frangos brasileiros na Argentina caiu 14% na primeira metade deste ano.


