Parecer do CNE revolta pais de especiais
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Marian Trigueiros<BR> Reportagem Local 
Dezenas de pais e alunos especiais da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Associação Flávia Cristina, Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece) e Centro Ocupacional de Londrina (COL), juntamente com representantes das entidades, estiveram reunidos com o deputado federal Alex Canziani na tarde de ontem munidos de um abaixo-assinado contendo cerca de 10 mil assinaturas.
O documento é contra a decisão do ministro da Educação, Fernando Haddad, que homologou na última quarta-feira, parecer 13/2009 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que trata das diretrizes operacionais para o atendimento educacional especializado para os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. De acordo com o parecer, os alunos especiais teriam que, obrigatoriamente, estar matriculados em classes do ensino regular para poderem frequentar atendimento educacional especializado.
Para a diretora técnica do Ilece Luciane Eiras Pape, dependendo do grau da deficiência, muitos alunos não têm condições de frequentar o ensino regular com mais outras 30 crianças. Na escola especial eles têm atendimento individualizado, uma sala com no máximo dez alunos, um trabalho realizado de acordo com a necessidade de cada um. Somos a favor da educação inclusiva, mas com responsabilidade e, por isso, estamos confiantes de que possa haver uma mudança no parecer.
Muito revoltada com a situação, a dona de casa Maria Pires Lúcio fez um depoimento emocionado. Hoje, minha filha está com 25 anos. Tudo o que ela aprendeu foi na Apae, onde estuda desde os três meses de idade. Como querem que a gente coloque uma criança em uma escola que não tem estrutura; o que eles podem oferecer a uma criança especial?, argumenta.
Ana Paula dos Santos, mãe das gêmeas Isabela e Isadora está preocupada com o que pode acontecer com o futuro das meninas. Desde o seis meses elas têm atendimento especial, e os médicos sempre nos disseeram que teríamos que aguardar o tempo delas. Se minhas filhas estivessem em uma escola normal seria impossível o desenvolvimento das duas.
Segundo o deputado Alex Canziani, na semana passada ele chegou a conversar com o senador Flávio Arns sobre o texto do parecer. Ele me disse que é contra essa resolução e que o ministro iria alterá-la. O próprio Haddad também me confirmou a mudança em outra ocasião. Para minha surpresa, no dia seguinte fiquei sabendo que ele havia homologado o parecer. Me comprometo de hoje, juntamente com outros deputados, agendar uma audiência com o ministro. Ou ele altera ou vamos para as ruas, disse.


