Curitiba - Nos Estados Unidos, autoridades na área de educação são unânimes em afirmar que sem parcerias das escolas com os pais, comunidade, empresas e a igreja haveria 70% mais chances dos estudantes se envolverem com drogas, situações de violência e de não alcançarem as metas fundamentais do ensino. A afirmação é feita com base nos resultados dos trabalhos da Associação de Pais e Mestres (PTA), maior Organização Não Governamental (Ong) do País. Existente desde 1896, está presente, hoje, em todas as 25 mil escolas dos 50 estados americanos, atingindo um universo de 25 milhões de estudantes.
Diante de números como estes, o auditório do Centro Integrado de Empresários e Trabalhadores das Indústrias do Paraná (Cietep) ficou pequeno, ontem, para abrigar os mais de 350 professores, diretores de escolas, pais e empresários interessados em participar do 2º Seminário Internacional Parcerias em Educação, que termina hoje em Curitiba. No seminário, educadores e autoridades do Brasil e Estados Unidos discutem como as escolas podem se tornar mais viáveis com o trabalho conjunto de todas as partes.
‘‘No Brasil, muitas empresas já trabalham como parcerias de escolas, mas o trabalho não é organizado, não é sistematizado’’, diz Heloísa Luck, diretora adjunta da Ong organizadora do evento ‘‘Mobilização Educacional’’, com sede na Capital. Por isso, o principal objetivo da Ong é justamente ajudar na formação de parcerias na educação, repassando idéias e experiências que colaborem para o sucesso dessas uniões. Esse trabalho é feito através do site da Ong na internet (www.parceriaseducacionais.org.br) e palestras em escolas e empresas.
Já nos Estados Unidos, de acordo com o adido cultural da Embaixada Americana no Brasil, Michael Hahn, calcula-se que cerca de 70% das escolas já têm projetos voltados à comunidade, através de convênios com hospitais, atuação em comunidades carentes e prestação de serviços. Foi justamente em função desta experiência dos EUA na área, que a Ong Mobilização Educacional decidiu fechar uma parceria com o País, assinando um Memorando em Educação, há cinco anos, durante uma visita do ex-presidente americano Bill Clinton ao Brasil.
‘‘Quando a escola conta com a participação dos pais, comunidade, diretores e empresas há uma mudança de clima, porque mudam as expectativas dentro da escola. O aluno se sente amparado, sabe que pode recorrer a outras pessoas. Se ele não sabe ler direito ou quer aprender violão, por exemplo, ele sabe que pode pedir ajuda’’, disse Terry Peterson, ex-assessor do Ministério da Educação do governo Clinton e especialista em parcerias.
As secretarias de Educação do Paraná e Curitiba não têm números exatos sobre as parcerias feitas no Estado. Segundo o secretário de Educação de Curitiba, Paulo Schmidt, todas as 156 escolas da Capital possuem associações de pais e mestres, além de parcerias que envolvem a comunidade e funcionários. ‘‘Mas todas essas parcerias servem mesmo para tirar esta idéia de isolamento da escola. Com participação de fora os alunos vêem que a escola significa vida, futuro, e isso abre muito a visão deles sobre a vida’’, resume Peterson.

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