Parceria estimula capacitação
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quarta-feira, 22 de maio de 2019
Viviani Costa - Grupo Folha 
Professores da Escola Municipal Professora Tereza Canhadas Bertan, no Jardim União da Vitória (zona sul), participam de uma capacitação oferecida por meio de um projeto criado pelo Gepema (Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Matemática e Avaliação) ligado ao departamento de Matemática da UEL (Universidade Estadual de Londrina).

O projeto envolve alunos da graduação, mestrado e doutorado da UEL, além de profissionais já formados na instituição. Por meio de atividades aplicadas para identificar as dificuldades no processo de ensino-aprendizagem da disciplina, os integrantes promovem debates e auxiliam a elaboração de um planejamento para o ensino dos conteúdos, considerando o perfil da comunidade.
A coordenadora pedagógica da escola, Daniela Cristiane Martins, afirma que a capacitação tem motivado os profissionais em sala de aula. “Para o professor, estudar nunca é demais. São pessoas focadas em matemática e que trazem uma nova visão para nós. A dificuldade do estudante, muitas vezes, reflete a dificuldade do professor de se relacionar com a disciplina.”
Alunos e docentes do 4º e 5º ano do ensino fundamental estão envolvidos na proposta. Porém, os desafios para melhorar o ensino, segundo Martins, vão além da sala de aula. “Algumas crianças já têm contato com drogas, falta vínculo familiar, há desemprego e tudo isso influencia”, reforça. A falta de agilidade na manutenção da estrutura física também prejudica os profissionais.
O trabalho será realizado o ano todo em parceria com a escola. Para o coordenador do projeto, Gabriel Silva, é preciso desmistificar a disciplina para aproximá-la dos estudantes. “Enquanto a matemática for usada como ferramenta de exclusão ou de punição, essa realidade nunca vai ser mudada. Há alunos que são obrigados a fazer a tabuada no recreio como castigo, por exemplo. Quando a gente reforça que matemática é difícil ou usa a disciplina dessa forma, isso faz com que as pessoas bloqueiem esse tipo de conhecimento”, destaca.
O Gepema é coordenado pela docente da UEL, Regina Buriasco. Ela acrescenta que as avaliações padronizadas, de uma forma geral, não medem a aprendizagem, mas “dão pistas do que está acontecendo em sala de aula”. No entanto, falta uma análise criteriosa dos resultados e medidas efetivas para mudar a realidade.
“Do jeito que a matemática é colocada nas escolas, as crianças aprendem muito a decorar os conteúdos. Elas são acostumadas a fazer determinados tipos de tarefas. Se há um exercício um pouco diferente, elas enfrentam dificuldades porque estão disciplinadas a fazer apenas de um jeito. Falta uma reflexão crítica”, aponta.
“Quando a gente parar de olhar para a matemática apenas como uma linguagem e conseguir compreender que ela se baseia em ideias essenciais para pensar a respeito de quaisquer coisas, aí estaremos no caminho certo. Acho que, de certa forma, isso já está começando a acontecer e vai funcionar em algum momento”, diz esperançosa.
Professores interessados em participar do projeto podem entrar em contato com o Departamento de Matemática da UEL pelo telefone 3371-4226. (V.C.)


