Iniciativa pretende estimular consciência política e debate de ideias
Iniciativa pretende estimular consciência política e debate de ideias | Foto: Devanir Parra/CML



Alunos do último ano do ensino fundamental e do ensino médio de Londrina vão poder votar em vereadores mirins usando urnas eletrônicas oficiais do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) a partir do ano que vem. A medida é para permitir o contato mais amplo com todo o processo eleitoral, desde a realização de uma campanha até a eleição através de urnas e a apuração dos votos. Isso graças a parceria entre o projeto "Parlamento Jovem", do TRE, e o programa Câmara Mirim, da Escola do Legislativo Londrinense. A diferença é que os pequenos vereadores de 13 escolas de Londrina que atualmente compõem a Câmara Mirim foram indicados pelas diretorias com base em diversos fatores internos, como notas, redação e participação em sala, e agora, vão ser escolhidos pelos colegas. A parceria foi firmada na semana passada, na Câmara Municipal de Londrina.

"Para que os nossos futuros eleitores apreendam a levar para a sua vida a consciência política e a necessidade de discutir e debater ideias e se prepararem para o processo eleitoral, além de incentivar, inclusive, o voto facultativo a partir dos 16 anos", afirma a Juíza Eleitoral e da 3ª Vara de Família, Fabiana Leonel Bressan, que participou da sessão na Câmara.

A secretária Municipal de Educação, Maria Tereza Paschoal de Moraes, lembrou que quanto mais cedo for iniciado o processo de educação política, mais consciente será a população e melhor será para o País. "Isto faz toda a diferença", afirmou.

O Termo de Parceria com o TRE também foi assinado pelo presidente da Câmara, o vereador Aílton Nantes (PP), que explicou como vai funcionar o projeto no ano que vem. "Nós criamos a Câmara Mirim no ano passado e este ano o TRE veio com a proposta que, para nós, é fundamental porque eles fazem a parte de escolha, vão até a diplomação e nós acabamos assumindo a parte do legislativo", afirma.

CÂMARA MIRIM
Em janeiro deste ano, 19 vereadores mirins e seus suplentes tomaram posse. No início eles foram apresentados aos processos de trabalho dos servidores da Câmara e receberam orientações sobre como falar em público e explicar suas ideias e dúvidas. A sessões são sempre na última sexta-feira do mês e os vereadores mirins podem apresentar requerimentos e indicações ao Executivo. Na sexta-feira (27), os vereadores aprovaram um requerimento solicitando ao prefeito Marcelo Belinati (PP) que envie à Casa um relatório de quanto foi gasto em merenda escolar entre os dias 1º de junho de 2017 e 1º de março deste ano. Eles também aprovaram uma indicação ao Executivo que pede a realização dos serviços de capina e roçagem e limpeza geral de fundo de vale na rua Monte Castelo.

Além disso, já pediram passarelas elevadas para pedestres na rua Castro Alves e em frente ao Colégio José de Anchieta, no jardim Higienópolis, e a presença da Guarda Municipal na região. Eles reivindicaram ainda a manutenção da sinalização viária na esquina das ruas Paranaguá e Riachuelo e o plantio de mata ciliar no entorno dos lagos da cidade. Tudo isso em três sessões.

O presidente da Câmara Mirim, Yuri Rubituci Gonçalves, da Escola Municipal Maestro Roberto Pereira Panico, tem apenas 14 anos, mas opiniões bem mais maduras, fruto das conversas com os pais sobre política e do interesse em sala de aula.

"A pessoa aqui pode arrecadar conhecimento para o seu futuro porque o País só está do jeito que está porque as pessoas não buscam saber mais", afirmou o garoto.

A seriedade dos jovens tem surpreendido o coordenador do projeto, o servidor Jéferson Inácio. "Hoje mesmo dois alunos teriam provas na escola, mas não queriam faltar aqui porque é só uma vez por mês. Então eu comentei que para não haver prejuízo na escola era só trazer uma declaração que a falta deles estaria justificada, já que por questão regimental, três faltas sem justificativa ocorre em perda do mandato. Então a direção das escolas comentou da importância do projeto e eles foram liberados, mas um deles decidiu fazer a prova e avisou que chegaria 15 minutos atrasado. E a mãe me dizia que ele estava tão feliz com o projeto que isto estava sendo muito importante para ele, haja vista que ele não quis perder a prova e nem a seção", comemorou.

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