Uma parceria firmada ontem entre o Instituto de Hematologia do Nordeste (Ihene) e o Hemocentro de Pernambuco, órgão estadual (Hemope) vai garantir a realização dos nove transplantes de medula óssea previstos para este ano em Pernambuco.
Os transplantes corriam o risco de não ser realizados por conta da interdição de parte do Ihene. O instituto foi interditado por ter supostamente fornecido sangue de tipo inadequado a 30 pacientes de hospitais da região metropolitana de Recife, de 28 de dezembro a 29 de janeiro.
A interdição do Ihene, que ocorreu na noite da quarta-feira, não atingiu o setor de aférese, onde são retiradas as plaquetas do sangue, de acordo com a Vigilância Sanitária.
A capela de fluxo laminar, local onde as células da medula óssea são manipuladas, foi desinterditada ontem pela vigilância.
Segundo o diretor-técnico e um dos proprietários do Ihene, Clemente Tagliari, a parceria foi firmada ‘‘apesar das circunstâncias adversas entre o instituto e o Estado’’. Ele informou que o próximo transplante já está marcado para acontecer em 20 dias.
Tagliari, que disse ter recorrido na Justiça da decisão da Vigilância de interditar o instituto, voltou atrás e informou que não recorreu. ‘‘Estou procurando um advogado criminalista.’’ A parceria entre Ihene e Hemope foi feita depois que um grupo de parentes de pacientes a serem transplantados procurou a direção do Hemope para exigir providências. Eles levaram relatórios médicos informando a situação do tratamento de cada doente.
A terapeuta ocupacional Flávia Pereira da Silva, 37, disse que não está preocupada no momento em julgar o Ihene. ‘‘Quero garantir a saúde e a vida de meu pai.’’ O aposentado João Pereira da Silva, 66, tem síndrome de Rischter (leucemia que virou câncer do aparelho linfático). Ele faz tratamento no Ihene desde janeiro.
A cada 28 dias Silva é internado em um hospital para fazer quimioterapia. ‘‘Por causa da alta dosagem da quimioterapia, ele às vezes precisa de transfusão de sangue’’, disse Flávia.
O presidente do Hemope, Aderson Araújo, deu garantias aos parentes dos pacientes de que, caso o Ihene não aceitasse fazer os transplantes por causa da interdição, o governo do Estado transferiria os doentes para São Paulo, Curitiba ou Rio de Janeiro, cidades onde também é feito transplante de medula óssea.

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