São Paulo, 13 (AE) - Pesquisadores brasileiros e norte-americanos anunciam amanhã (14), na Califórnia, uma parceria para decifrar o genoma de uma bactéria que está causando grandes prejuízos aos produtores de uva dos Estados Unidos. Os parceiros na empreitada serão, de um lado, o Serviço de Pesquisa em Agricultura (ARS) dos EUA e a American Vineyard Foundation e, de outro, a rede Onsa.
Em janeiro, essa rede virtual, formada por 54 laboratórios paulistas, concluiu o primeiro sequenciamento genético de uma praga agrícola feito no mundo: o da Xylella fastidiosa, responsável pelo amarelinho que ataca os laranjais brasileiros. Com isso, o Brasil tornou-se o primeiro País do hemisfério Sul a dominar a tecnologia do sequenciamento genético. Agora, com os cientistas norte-americanos, esses pesquisadores farão a sequência de uma bactéria homônima, que ataca as uvas norte-americanas, provocando o mal de Pierce.
"A experiência dos pesquisadores brasileiros será de valor inestimável em nosso novo ataque a essa praga que está infectando as vinhas do Estado", disse Floyd Horn, administrador do ARS. Entre 1995 e 1997, o mal de Pierce causou prejuízos de US$ 33 milhões aos vinicultores do norte da Califórnia. Com a parceria, pesquisadores brasileiros trabalharão nos Estados Unidos e pesquisadores de lá, aqui, onde será realizada a maior parte da pesquisa, que deve ser concluída em menos de um ano.
Nos EUA, a pesquisa será coordenada por Edwin L. Civerolo, da Unidade de Pesquisa em Genética de Produtos Agrícolas e Patologia do ARS localizada em Davis, Califórnia. Ele será o responsável por coletar e preparar o material material genético da Xylella retirado das vinhas contaminadas. No Brasil, será estabelecida a sequência exata de cada uma das "letras" (bases de nucleotídeos) do genoma da bactéria.
A pesquisa brasileira será coordenada pela mesma pessoa que encabeçou o projeto anterior: Andrew Simpson, do Instituto Ludwig para Pesquisas sobre o Câncer em São Paulo. O projeto será financiado pela Napa, base da American Vineyard Foundation na Califórnia (US$ 125 mil), o ARS (US$ 125 mil) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (US$ 250 mil).

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