O rendimento das cooperativas populares pode ser ainda maior se elas formarem uma rede. Está em curso em Curitiba um plano de integração destas pequenas empresas. A proposta prevê que os empreendedores realizem as compras de matéria-prima em grupo e reduzam despesas. A sociedade não acaba aí. O ‘‘excedente’’, ou seja, o lucro gerado pelo conjunto, seria revertido para ampliar a parceria e criar novos empregos. A idéia é batizada de ‘‘Rede da Solidariedade’’.
‘‘Quanto mais você distribuir a riqueza, mais você consome. Quanto mais se consome, mais demanda por produção existe, o que gera mais postos de trabalho.’’, descreve o filósofo Euclides André Mance, diretor do Instituto de Filosofia da Libertação (IFIL), outra ONG que presta orientação para as cooperativas. A base da ‘‘rede’’ foi inspirada numa feira popular realizada no Bairro Novo em agosto do ano passado.
Vinte barracas foram montadas no pátio de uma igreja. Como num mercado persa, a feira comercilizava de tudo, desde roupas, alimentos, produtos artesanais e brinquedos. As despesas com o aluguel das tendas foi paga por todos. Surgia ali o esboço da Rede da Solidariedade. A feira vai para a terceira edição no próximo dia 10 de junho e já congrega mais de 80 negócios. Euclides Mance já escreveu um livro sobre o tema: ‘‘A Revolução das Redes – A colaboração solidária como uma alternativa pós-capitalista à globalização atual’’.
O desafio de Mance é estimular os donos dos pequenos negócios a se unir. ‘‘Do contrário, não há como expandir a rede. O principal objetivo é garantir o bem viver das pessoas. Não é consumir por caridade, mas porque o produto é bom mesmo’’. A base filosófica da rede incorpora ideais católicos, marxistas e ecológicos. Para entrar no projeto, segundo Euclides, é necessário que o produto não agrida a natureza e o integrante da rede concorde em dividir lucros e despesas.
‘‘Para que todos possam ganhar mais, é necessário que eles tenham a consciência de que é preciso investir novamente. Você motiva todo mundo a produzir mais’’. Segundo Euclides, esta é uma resposta à economia capitalista, sintetizada no acumulação de riquezas. (D.V.)

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