Parasitoses intestinais: ninguém está livre delas
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domingo, 18 de setembro de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Falar de parasitoses intestinais pode parecer um problema ultrapassado, dada as atuais condições de saneamento básico da maioria da população. Mas é nas comunidades carentes que ainda se encontra uma prevalência alta das doenças, que podem causar complicações graves se mal cuidadas.
Em Londrina, a prevalência é de 40% a 50% entre a população de baixa renda, segundo levantamento do departamento de Ciências Patológicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). 99% da população londrinense é abastecida com água tratada e 67% dos habitantes contam com coleta de esgoto. ''Ninguém está livre de ter uma parasitose'' - alerta a médica veterinária e parasitologista Regina Mitsuka Breganó, professora da UEL. Mas, cuidados básicos podem diminuir os riscos.
A transmissão da maioria das parasitoses intestinais - esquistossomose, teníase, cisticercose e giardíase - é fecal-oral, ou seja, através de água e verduras ou alimentos contaminados com fezes humanas (veja quadro nessa página). Ou ainda, caso da ancilostomose, o popular ''amarelão'', que a transmissão ocorre através de larvas que penetram na sola do pé de pessoas que andam descalças em terrenos contaminados com fezes humanas.
A despeito do folclórico personagem de Monteiro Lobato, Jeca Tatu, que convivia com uma ou outra parasitose, as consequências podem ser graves. O ''amarelão'', por exemplo, pode causar anemia, já que o parasita se alimenta de sangue e origina micro-hemorragias no intestino com sua migração em busca de alimento.
Quem acha que a solitária (teníase) está em um passado muito remoto, também se engana, alerta a professora. Ela pode ser transmitida através da ingestão de carnes cruas ou mal passadas contendo os cisticercos vivos, neste caso visíveis a olho nu. ''É a famosa 'canjiquinha', 'quirera' ou 'pipoca' de carne. Mas se as carnes forem bem cozidas, eles morrem'', ensina. A solitária pode chegar a 4,5 metros de comprimento e em crianças causar déficit de aprendizagem, por conta do déficit nutricional.
Já na cisticercose, doença também causada pela Taenia, ao invés dos cisticercos vivos na carne, o homem ingere o ovo da Taenia solium, através de alimentos contaminados com fezes humanas. Um cisto pode se formar no cérebro, podendo ficar do tamanho de uma bola de tênis. ''E se a pessoa se auto-medicar, uma dosagem errada pode causar reação inflamatória intensa'', alerta a parasitologista.
A Giardíase, que é transmitida através da ingestão de frutas e verduras contaminadas, pode causar má absorção de nutrientes, principalmente das vitaminas A, D, E e K, que precisam de gordura para serem absorvidas. O parasita causa esteatorréia (gordura nas fezes), quando a gordura não é absorvida pelo intestino. ''Além disso pode causar lesão da mucosa do duodeno, onde fica o parasita, e nas crianças a diarréia pode causar desidratação'', explica.
Um dos grandes problemas na detecção de parasitoses intestinais é que elas quase sempre são assintomáticas e nem sempre aparecem nos exames laboratoriais. Em alguém com carga parasitária forte, por exemplo, a chance é de 90% de aparecer no primeiro exame, o que não ocorre em casos leves. Mas isso não justifica a crença popular de que é ''bom'' tomar todo ano algum vermífugo.
Ingerir medicamento sem orientação médica, alerta o parasitologista Francisco Anaruma Filho, também professor da UEL, pode resultar em uma dosagem inadequada e na resistência do parasita. A lombriga, por exemplo, pode se ''irritar'' ao invés de morrer, por conta de uma dosagem errada de medicamento, e migrar para outras áreas do corpo. ''E pode obstruir o pâncreas ou furar os tímpanos'', afirma o professor.
Serviço:
O Departamento de Ciências Patológicas da UEL promove palestras sobre parasitoses e visitas ao laboratório através de um projeto para alunos de ensino fundamental e médio. O agendamento pode ser feito através do telefone (43) 3371-4502.


