Paranavaí pode ter clássico local a partir do ano que vem
Silvana Porto
De Maringá
Depois de 53 anos como único time de futebol profissional da cidade, o Atlético Clube de Paranavaí (ACP) está a poucos passos de enfrentar a própria criação, o Paranavaí Atlético Clube (PAC). Criado em janeiro de 1997, o PAC disputa a série A3 e estréia hoje nos playoffs da segunda fase. Hoje o time enfrenta o Ibiporã fora de casa. Se passar desta fase, o time enfrentará o ACP em 2000 na série A2, um encontro inédito até agora.
O maior questionamento dos torcedores é se Paranavaí, com 72 mil habitantes, comporta dois times profissionais. O presidente do ACP, Lourival Furquin, acha que dois é demais. Se o time vai sobreviver só o tempo dirá, diz, referindo-se ao PAC. Já o fundador e presidente do PAC, Antônio Plácido Vendramin, que foi dirigente do ACP por 20 anos, é entusiasta. Há público suficiente. Dentro de 10 anos teremos mais de 10 mil torcedores, projeta. Os moradores da cidade, porém, não parecem concordar com ele.
O ACP, em 53 anos de atividade entre bons e maus momentos, não consegue levar ao Estádio Felipão mais que 4 mil torcedores. O estádio tem capacidade 25 mil lugares. O PAC, em sua curta trajetória, conquistou um público cativo de 600 a 800 torcedores.
São torcedores distintos, que sabem diferenciar os dois times. O PAC tem atraído mais os jovens, observa o cronista esportivo Dorival Ferreira. Se o PAC continuar a crescer a tendência é aumentar o número de torcedores, embora o ACP tenha tradição e torcida fiel, avalia o repórter esportivo Dinei Feitosa, que acha difícil dois times profissionais sobreviverem na cidade.
O mais interessante, observam torcedores e cronistas, é que antes da profissionalização, o PAC tinha o objetivo de formar atletas para os times da cidade que disputam os jogos da Juventude e Abertos. Vendramin, porém, quis ir mais longe. Ele adquiriu uma casa e alojou 30 dos 80 atletas de competição que integram as equipes mirim, infantil, juniores e profissional.
A casa abriga os jogadores de fora e o clube gasta em torno de R$ 5 mil a R$ 6 mil por mês para manter a equipe, com ajuda de R$ 2 mil da prefeitura. Cerca de 10% das despesas são cobertas por um patrocinador, e a diferença é bancada por Vendramin.
Este ano os atletas do PAC deram a Paranavaí o título de vice-campeão nos Jogos da Juventude. A mesma equipe que disputou os Jogos Abertos, em Toledo, encerrados ontem. Através de parceria com o município, o PAC mantêm ainda 350 atletas em escolinhas de bairros da cidade.
O ACP também tem seus títulos. Foi duas vezes campeão estadual do grupo A2, em 1983 e 1992. De 92 para cá a equipe vem passando por altos e baixos. Participou do grupo de elite, como convidado, em 1994 e 1996, retornando à intermediária nas duas oportunidades.
Em 1996 o ACP fez a melhor campanha, conquistando o 5º lugar no grupo de elite, lembra Furquin. A equipe, no entanto, não conseguiu se manter em 1997, voltando para o grupo A2, onde permanece até hoje. Sem adiantar os planos para o ano que vem, Furquin diz que o maior problema do clube é financeiro.
Para ter um nível técnico melhor precisaríamos de R$ 35 mil por mês, calcula. As despesas não passam hoje de R$ 16 mil. Cerca de 20% do total vem da renda dos jogos, outros 20% de patrocinadores, 30% de sócios e patrocínios de camisas e 30% da prefeitura, através de lei municipal.





