Paranaenses vão testar stent que descarta medicamento
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quarta-feira, 17 de agosto de 2005
Evandro Fadel<br>Agência Estado 
Curitiba- A equipe de cardiologistas do Hospital Evangélico de Curitiba deve iniciar no próximo ano testes em seres humanos de um novo stent para se tentar eliminar o uso de medicamento e manter baixos os porcentuais de restenose (novo estreitamento de canal) em pacientes submetidos à angioplastia. O experimento já está registrado em mais de 30 países, mas os testes ainda estão restritos a animais. A expectativa é que dentro de três anos esteja disponível no mercado.
O stent é uma espécie de rede de aço inoxidável utilizada para desobstruir veias e artérias tomadas por gordura. Inflada no local obstruído, ela esmaga a placa gordurosa e permite a passagem normal do sangue. Porém, segundo o médico Ronaldo da Rocha Loures Bueno, que coordena a equipe responsável pelo invento, o stent convencional pode trazer complicações, em razão da produção exagerada de células cicatrizantes que deverão provocar um novo estreitamento do canal. Esse problema atingiria cerca de 30% a 35% dos pacientes aproximadamente oito meses após o procedimento.
Para diminuir a incidência da restenose passou-se a utilizar o stent farmacológico, acrescido de um medicamento, que inibe a proliferação das células. De acordo com Bueno, as complicações tardias reduziram-se nesse caso para cerca de 7% a 8% dos pacientes. Na busca de uma solução eficaz e que dispensasse medicamento, o médico acabou se deparando com a bactéria Acetobacter Xylinum. É com ela que se tem produzido películas de peles artificiais.
Por ser biocompatível e ter uma capacidade de se reproduzir em tempo curto, Bueno passou a pesquisá-la também no uso coronariano, revestindo o stent convencional com uma película de celulose biossintética. As pesquisas já estão no quarto ano e, segundo ele, os resultados em animais são altamente satisfatórios. ''Funciona como uma barreira mecânica de proliferação das células da parede da artéria'', disse. ''A bactéria faz o trabalho de fechar a malha do stent.''
Os índices de restenose que Bueno tem observado assemelham-se aos de pacientes com stent farmacológico. ''Mas em nosso caso não precisa de drogas para evitá-la'', destacou. O experimento será apresentado em outubro, em Washington, nos Estados Unidos, em um dos maiores congressos mundiais de cardiologia.


