Paranaenses vão até o papa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Wilhan Santin<BR>Enviado a São Paulo 
São Paulo Sexta-feira, 11 de maio. O relógio marca 9h10 quando o Papa Bento XVI adentra o aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo (SP), para a cerimônia de canonização de Frei Galvão. De acordo com a Polícia Militar (PM), cerca de 800 mil pessoas aguardam o sumo pontífice. Do alto do centro de imprensa, que fica ao lado do altar onde aconteceu a celebração, é possível avistar o ''mar de gente''e perceber um mosaico de rostos emocionados.
No meio da multidão, pessoas de todos os cantos do país e da América Latina e de todas as idades. E não faltam paranaenses. Encostados na grade de contenção, que separa o público do acesso ao altar, um grupo de uma paróquia de Cornélio Procópio saúda o papa com uma faixa.
A segurança da área é feita pela aeronáutica e o repórter da FOLHA é impedido de se aproximar da grade para entrevistá-los, mas, gritando, uma romeira conta que chegou ao Campo de Marte ainda na madrugada, às 4 horas. Tudo para conseguir o melhor lugar e ficar o mais perto possível do papa que era considerado ''frio'' e dá um ''show'' de simpatia desde que chegou ao Brasil, na quarta-feira.
Para conhecer de perto os outros paranaenses que viajaram centenas de quilômetros para chegar perto de Bento XVI, a reportagem da FOLHA foi para o meio do povo. Não demoramos para encontrar um grupo de londrinenses. Eles viajaram a noite toda e vão acompanhar o papa de pertinho até domingo. ''É um momento de espiritualidade muito importante. As pessoas mais sábias da igreja estão aqui e estou muito feliz por poder estar também. Vim pedir pela cura de um problema de saúde de meu irmão e também para que eu possa ser uma anunciadora do evangelho'', conta a estudante Franciana Gomes Fadel, 21.
Um pouco depois, avistamos um grupo de Paranaguá, com 50 jovens de diversas cidades do litoral do estado. Na noite anterior, eles já haviam participado de um encontro com o papa, que levou 40 mil pessoas ao estádio do Pacaembu. ''Essa viagem será inesquecível'', empolga-se Leonardo Augusto de Oliveira,18, que é de Guaratuba.
Com camisetas que trazem a estampa da inconfundível catedral de Maringá, jovens daquela arquidiocese demonstram cansaço depois de terem participado do evento do dia anterior, alguns chegam a deitar na pista do aeroporto, mas não arredam o pé antes do fim da cerimônia. ''A viagem está sendo maravilhosa. Para você ter uma idéia, ontem fizemos um momento de evangelização dentro do metrô'', diverte-se o maringaense Lincoln da Silva, 18.
Com a celebração encerrada e já fora do Campo de Marte, um grupo de Paranavaí se destaca por conta de uma bandeira empunhada pelo padre Nilton Riami, o idealizador da romaria. Carregar a bandeira de um modo que ela fique no alto e possa ser visualizada de longe é a forma que ele encontrou para não perder nenhuma de suas ''ovelhas'' na multidão. ''Tudo isso que estamos vendo, reanima a fé do nosso povo'', diz com orgulho.
Um outro grupo, de Piraí do Sul, tinha um motivo especial para comparecer à cerimônia que conferiu o status de santo a Frei Galvão. Conforme conta a organizadora da excursão, Maria Alice Miguel, em 1800 o frei passou por aquela cidade, que ficava no caminho dos tropeiros que saíam do Rio Grande do Sul e iam até São Paulo.
Em Piraí do Sul, o santo entregou uma estampa de Nossa Senhora das Barracas, que é venerada em Portugal, a uma moradora. Passado um tempo, essa senhora perdeu a estampa quando se mudou de casa. Tempos depois, encontrou a estampa, intacta, em meio aos brotos de um capim que havia queimado. Foi aí que nasceu a Nossa Senhora de Brotas. O milagre de a estampa não ter se queimado é atribuído a Frei Galvão. ''Hoje viemos agradecê-lo pelo presente milagroso que nos deu'', encerra a romeira paranaense.


