Curitiba- Mais de 2.300 pessoas já se cadastraram para participar como voluntárias de uma pesquisa do Ministério da Saúde sobre tratamento de doenças do coração com uso de células-tronco. Dos inscritos até esta semana, aproximadamente 120 são do Paraná. A seleção dos candidatos será feita pelo Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras (INCL) - 1.200 pacientes participarão do trabalho. Destes, metade fará o tratamento tradicional das cardiopatias específicas e a outra metade será submetida à terapia com células-tronco.
A previsão é de que as primeiras avaliações dos pacientes tenham início em abril e que em junho sejam feitos os primeiros implantes de células. Serão formados quatro grupos de 300 pessoas cada, divididos conforme as cardiopatias a serem estudadas: infarto agudo do miocárdio, doença isquêmica crônica do coração, cardiomiopatia dilatada e cardiopatia chagásica. A previsão é de que as inscrições irão até o final de março, no site www.incl.rj.saude.gov.br, mas este prazo pode ser prorrogado.
''Se não atingirmos o número de 1.200 pessoas que se encaixem no perfil ideal para a pesquisa, continuaremos com as inscrições'', explica Bernardo Rangel Tura, um dos organizadores do estudo. ''Para usar termos que os leigos entendam, o que queremos é voluntários que sintam falta de ar ao subir uma escada de oito degraus. Ou seja, pessoas em estágios avançados das cardiopatias que serão estudadas''.
Ao todo, 33 instituições em 10 estados brasileiros e no Distrito Federal desenvolverão pesquisas para o projeto, que terá custo total de R$ 13 milhões. No Paraná, participam a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Fundação Constantini, a Pontifícia Universidade Católica (PUC) e o Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Estado (UFPR) - as três últimas entidades são de Curitiba.
''Os pacientes serão distribuídos para atendimento nas instituições participantes conforme o perfil clínico, não foi definido um número 'x' de voluntários por entidade ou Estado. O que está certo é que haverá um número mínimo de cinco pessoas por instituição'', afirma Tura.
A pesquisa com células-tronco é vista como a última alternativa por muitas pessoas que se inscreveram para participar do estudo. A advogada Raquel Fernandes Ribeiro, 53 anos, que mora em Curitiba, teve que se aposentar devido a uma cardiopatia chagásica. ''Em 1997, tive um derrame cerebral. Nos meses seguintes, tive vários outros, era dia sim, dia não. Nenhum médico sabia o que era. No ano seguinte, finalmente descobriram que era doença do coração ligada ao Mal de Chagas'', relata.
Desde o diagnóstico, Raquel toma remédios para o coração. ''Mas eles só servem para as lesões que a doença provoca. A cardiopatia chagásica é crônica. Ela me impede de fazer esforço. Não posso varrer uma sala, até tomar banho é cansativo. Minha única esperança de cura é esta pesquisa'', conta ela.

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