Renan Antunes de Oliveira Agência Estado
Os mineiros continuam em primeiro lugar entre os imigrantes brasileiros nos Estados Unidos, mas a distância entre eles e os paranaenses, até então fora das estatísticas, diminuiu bastante, conforme pesquisa inédita da Universidade de Columbia. Hoje, os paranaenses representam 29,1% dos imigrantes na região Tri-estate (Nova York/Connecticut/Nova Jersey). Os mineiros caíram de 80% para 51%.
‘‘O fenômeno da imigração de paranaenses é recente, mas já provocou mudanças importantes no quadro regional’’, diz José Carlos Meihy, professor da USP e coordenador da pesquisa da Columbia. O trabalho é baseado em 500 entrevistas realizadas nos três estados. Os números finais devem ser revelados em setembro. Em Boston, no Estado de Massachusetts, outro pólo importante de brasileiros, estima-se que os mineiros ainda constituam 90 por cento dos imigrantes.
O perfil do recém-chegado: jovem, com boa escolaridade, desempregado no Brasil. O centro da imigração paranaense é Danbury, cidadezinha de Connecticut a duas horas de Nova York. Lá, a comunidade se organiza em torno da igreja Saint Peter, do padre cearense Jonas Moraes.
‘‘Metade dos 500 fiéis da minha missa de sábado era do Paranᒒ, conta o padre. ‘‘E deles, 22 tinham chegado na cidade naquele dia’’. No domingo, no salão paroquial, um grupo de jovens se reuniu para rezar. O padre Jonas abriu as orações pedindo ‘‘a proteção de Deus para quem chega numa terra estranha sem falar a língua e sem documentos’’.
A comunidade brasileira em Danbury vive isolada da americana, como água e azeite. Os imigrantes pegam serviços duros, como faxina em restaurantes, pintura e jardinagem. Muitos vivem em casas com até 14 pessoas.
Leonardo Rainato, 20 anos, era funcionário da prefeitura de São Pedro do Ivaí, com salário de R$ 160,00. ‘‘No ano passado, resolvi arriscar e vim para cᒒ. Hoje é pintor e ganha US$ 600 por semana. Trouxe o pai, carpinteiro experiente. Seu Agostinho trabalha nos EUA durante o verão. Quando o frio começar, ele quer voltar para casa - deve faturar entre US$ 8 e 10 mil, limpos.
O imigrante Mário Zamprogna, 21 anos, conta que no seu grupo, chegaram em quatro. No mês seguinte, chegaram oito. Depois, um avião trouxe 80, de uma só vez. ‘‘Vamos acabar dominando Connecticut.’

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