Paranaenses ignoram exames contra câncer
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quarta-feira, 25 de maio de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Muitas paranaenses não estão cuidando da saúde. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizada em 2003 e cujos dados foram divulgados ontem, 18,90% das mulheres do Estado com 25 anos ou mais nunca realizaram exame preventivo para câncer de colo de útero. Das paranaenses na referida faixa etária, 62,85% nunca foram submetidas a uma mamografia e 34,13% nunca passaram por um exame clínico das mamas.
''Os motivos para estes altos índices são tabu e desconhecimento. Muitas mulheres têm medo e vergonha de realizar estes exames e não conhecem a real necessidade deles. Algumas pessoas com pouca instrução ainda têm o ponto-de-vista de que médico só serve para curar doença que já se manifestou, e não para efetuar prevenção'', opinou Ademir Mílton Brandalise, médico do Hospital Cajuru e coordenador-médico das unidades de saúde 24 horas de Curitiba.
Em todo o Brasil, de acordo com a pesquisa, 20,89% das mulheres com 25 anos ou mais nunca realizaram o exame para prevenir câncer de colo de útero, 57,36% nunca passaram por mamografia e 36,40% nunca fizeram exame clínico das mamas. Os pesquisadores do IBGE visitaram mais de 133 mil domicílios brasileiros e entrevistaram cerca de 380 mil pessoas.
A pesquisa revelou outras facetas da situação de saúde dos brasileiros e também dos serviços prestados no setor (veja quadro). Em todo o Brasil, 29,91% da população tem doenças crônicas, como diabetes e hipertensão; no Paraná, este índice é levemente maior, 33,16%. 15,86% dos brasileiros nunca se consultaram com um dentista - no Paraná, o número de pessoas que se encontram nesta situação representa 10,07% da população.
''O que acontece é que não há oferta de serviços públicos de odontologia em certas regiões do Estado, principalmente em cidades menores'', comentou Brandalise. Outro dado da pesquisa que chama atenção é a cobertura de planos de saúde: 75,44% dos brasileiros (no Paraná, são 75,90%) não têm plano.
''Eu percebo que está havendo uma migração acentuada da classe média para o Sistema Único de Saúde (SUS), devido ao alto custo dos planos. Os reajustes salariais da maior parte da população não acompanham os aumentos das taxas cobradas pelas empresas do setor'', afirmou Brandalise.
Ainda conforme a pesquisa, um milhão de pessoas deixaram de procurar um serviço de saúde porque não tinham dinheiro. Entre os entrevistados que sentiram necessidade de atendimento nas duas semanas anteriores à pesquisa, mas desistiram, 23,8% alegaram não ter recursos para ir a um posto, clínica, hospital ou farmácia. Em 1998, o percentual foi ainda maior, de 32,5%.
A demora para ser atendido, que em 1998 era a terceira razão de desistência, passou para a segunda causa e foi citada por 18% daqueles que precisaram mas não procuraram ajuda médica. O Estado de São Paulo revelou uma realidade muito diferente da média nacional: a demora no atendimento foi o principal motivo das desistências, seguido de horário incompatível com a disponibilidade do paciente.
''Os gargalos na saúde são o enfrentamento das filas e o atendimento especializado'', admitiu o ministro da Saúde, Humberto Costa, durante a divulgação dos resultados. Ele reconheceu que a saúde bucal e a da mulher são dois setores que precisam ser aprimorados e lembrou que, com o envelhecimento da população, o sistema de saúde está se tornando cada vez mais caro. (Com Agência Estado)


