Curitiba- Mais de 150 pessoas se reuniram no saguão do Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, ontem à noite, para fazer uma oração ''de luto'' para as vítimas do acidente com o avião da TAM. A proposta do encontro era fazer também um protesto contra o ''desrespeito das autoridades pela vida''. Exatamente pela falta de respeito, é que minutos depois do fim da oração, um homem quebrou o teclado no balcão da GOL, após ouvir que só poderia remarcar a passagem da filha e do neto para o dia 28 de julho.
Revoltado, o homem ia se retirando do aeroporto, quando foi abordado por uma policial, acionada pela funcionária da GOL. Foi o suficiente para deixar os ânimos do cidadão novamente exaltados. ''Imagine que era para minha filha ter embarcado há dois dias, e eles dizem para voltar no dia seguinte. Agora me falam que só daqui a cinco dias ela poderá embarcar. Não podemos esperar, ela é médica e precisa retornar a vida profissional'', explica ele à imprensa.
''Pedi o dinheiro de volta e eles disseram que não. Aí realmente eu quebrei a porcaria do teclado, perdi a cabeça. Alguém precisa tomar atitude'', confessa ele, que foi ovacionado pelas pessoas em volta. O desabafo do senhor foi um empurrãozinho para uma reação em cadeia de indignação dos passageiros, que lotavam o aeroporto. Dos 123 vôos previstos, ontem, 68 tiveram atrasos de mais de uma hora e 27 foram cancelados. ''Isso é uma vergonha. Como é possível relaxar e gozar num estresse desse. Tenho vergonha de cantar o hino nacional'', indagou uma passageira, que arrancou mais palmas dos presentes.
A mulher se referia ao hino nacional que foi puxado pelo grupo de oração, pouco antes. No chão do aeroporto, os manifestantes montaram uma cruz com flores e cartazes brancos onde estavam escritos protestos como ''Acorda Brasil!'' e ''Vidas Merecem Respeito''. ''Temos que protestar, seja de forma pública, um motim dos controladores, ou de forma silenciosa, como um boicote a Congonhas. Eu acabei de fazer isso. Mudei meu vôo que iria fazer escala em Congonhas para o Galeão (RJ)'', sugere o veterinário Marcelo Souza, 40 anos, que tentava embarcar, para Belo Horizonte, com a esposa, a sogra e a filha de cinco anos, desde às 9 horas. A previsão era que a família embarcasse às 23 horas.

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