Pela primeira vez, uma equipe de montanhistas brasileiros alcança o cume da segunda maior montanha do Ocidente. Quatro paranaenses atingiram no último dia 19 de fevereiro o topo do Monte Pissis, que fica em meio ao deserto do Atacama, no norte da Argentina. Após 15 dias de expedição, três homens e uma mulher estenderam uma pequena bandeira brasileira no alto dos 6.882 metros do Monte, onde batia um vento de menos 20 graus. ‘‘Foi uma grande conquista, ainda mais, porque foi realizada por montanhistas paranaenses’’, resume Marcos Iwamura, um dos integrantes do grupo.
O Monte Pissis fica quase na fronteira do Chile, na província argentina de Catamarca. Apesar de ser o segundo mais alto de todo o continente americano, o local acabou sendo relegado em função da notoriedade da maior montanha do continente, que é o Aconcágua, com 6.957 metros, também na Argentina. ‘‘Parte da equipe já tinha conquistado o Aconcágua, por isso surgiu interesse em escalar o Pissis’’, explicou Iwamura, que é dentista e pratica montanhismo há 16 anos.
Para chegar ao Monte Pissis é preciso cruzar o deserto, onde as temperaturas superam os 40 graus. O deserto do Atacama é considerado uma das regiões mais áridas do mundo. No entanto, lembra Iwamura, perto das montanhas pequenas piscinas de água geladas e outras termais se formam, mudando a paisagem – onde se vê relva rala e alguns guanacos (parente da lhama).
Valendo-se de uma caminhonete, o dentista, junto com a farmacêutica, Elaine Fujiwara, e dos empresários Paulo César de Azevedo Souza e Renato Antônio Kalinoski colocaram 400 quilos de bagagem, necessárias para a escalada. ‘‘Apesar de irmos de caminhonete, cruzar o deserto não foi tão fácil’’, contou.
Em um dos trechos da viagem, ao tentar atravessar um rio, eles ficaram atolados no meio das águas, formadas pelo degelo da neve das montanhas. ‘‘Como não conseguimos desatolar o carro, foi preciso desviar o rio, formando quatro diques até que secasse o leito e pudemos tirar os pneus da lama’’, lembrou, observando que depois voltaram a deixar a correr a água pelo leito normal.
Ao chegar ao pé da montanha, eles montaram um acampamento. Precisaram de alguns dias para se ambientar à altitude. ‘‘Não se pode subir mais 500 metros por dia, porque o corpo não se adapta à mudança de pressão e atmosférica e pode sofrer até edemas pulmonar e cerebral, que podem levar a morte’’, disse.

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