Paranaenses atuam no tráfico de mulheres
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quarta-feira, 01 de setembro de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Peças de um inquérito policial comprovam a suposta participação de duas empresárias paranaenses no esquema de tráfico internacional de mulheres. A decoradora de festas Márcia do Prado, de 33 anos, seria agenciadora de mulheres e teria ligação direta com o boliviano Ramon de Lopez, naturalizado espanhol. Márcia teria sido a principal responsável pela saída das prostitutas do Brasil. Ela teria entrado em contato com a proprietária da Agência de Viagens e Turismo Londritur, Marlova Terezinha Fritzen, de 42 anos, para a agilização das passagens para as turistas.
De acordo com as investigações da Polícia Federal de Caxias do Sul (RS), Marlova vendia as passagens antecipadamente para as mulheres sob a promessa de pagamento na chegada de cada uma delas em Madrid, na Espanha. Lopez fazia o pagamento, que envolvia o preço do bilhete de R$ 7,3 mil e uma comissão de 10%. As mulheres se comprometiam em pagar os valores cedidos com trabalho. ''Muitas trabalharam meses e até um ano para conseguir se livrar da dívida. Algumas se revoltaram e tentar fugir. Conseguimos materializar toda essa situação nas ligações telefônicas gravadas entre Márcia do Prado e o cafetão da Espanha'', afirmou o delegado Vladimir Nunes Rogério, responsável pelo inquérito policial.
Márcia e Marlova foram presas no dia 26 de agosto, em Curitiba. As duas foram levadas para a PF de Caxias do Sul para serem ouvidas. Márcia do Prado optou pelo direito ao silêncio. Marlova Fritzen confessou nos autos a venda de passagens para 56 mulheres. A maioria delas, gaúchas. ''O que ela nos relatou bate com os bilhetes que encontramos na agência. Parece que a agência dela encaminhou mesmo estas mulheres apenas para prostituição na Espanha'', relatou o delegado.
Outro suposto agenciador de mulheres foi preso no dia 31 quando saía de um motel em Porto Alegre. Luiz Ubirajara da Silva foi encontrado com R$ 3 mil e uma lista com nomes de 300 mulheres. Ele admitiu ter enviado 15 mulheres para a Espanha nos últimos 12 meses. No final do ano passado, ele teria conhecido Márcia do Prado e teria enviado para ela algumas mulheres. Para a negociação, ele disse que recebia entre R$ 350 e R$ 700.
Duas mulheres que embarcariam no dia 26 de agosto para Espanha foram detidas por policiais federais. Agora, o inquérito segue para o Rio de Janeiro. O Ministério Público (MP) federal deverá oferecer denúncia. Os três presos respondem por tráfico de mulheres (crime que pode gerar pena que varia de três a oito anos de prisão) e por formação de bando ou quadrilha (de um a três anos de prisão).
O delegado da PF de Caxias do Sul já encaminhou um pedido para que o governo brasileiro entre em contato com a embaixada em Madrid para que seja verificada a situação das brasileiras que foram trabalhar como prostitutas na Espanha. A Folha entrou ontem em contato com a agência Londritur. O advogado José Leocádio de Camargo está no Rio Grande do Sul acompanhando o inquérito policial.


