Paranaense testa insulina inalável
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sexta-feira, 11 de outubro de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O ortodontista Jaime Bomfim Bettega, 41 anos, é o primeiro paciente de diabetes tipo 1 no Brasil a experimentar a insulina pela inalação. Ele está fazendo parte de uma pesquisa internacional que vai verificar a eficácia do produto em 70 centros instalados na Alemanha, Canadá, México, Argentina, Brasil e Estados Unidos. A primeira pesquisa com o produto foi realizada há três anos em 1,4 mil diabéticos.
A intenção agora é verificar se o produto pode causar problemas pulmonares nos pacientes. A pesquisa é totalmente financiada pelo Fundo Administrativo de Drogas (FDA) e vai durar dois anos e meio. No Brasil, seis centros foram selecionados para realização da pesquisa: Escola Paulista de Medicina, Universidade de Campinas (Unicamp), Universidade São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Centro de Diabetes de Curitiba (CDC).
A insulina é aplicada nos pacientes através da via subcutânea. Há uma semana, Jaime tem experimentado a inalação e aprova os resultados obtidos até agora. ''É prático de usar, me sinto melhor, mais bem disposto. Posso usar em qualquer momento, inclusive andando. É muito mais cômodo'', analisou o paciente, que tem a doença há 17 anos. Como ele, outros 20 pacientes paranaenses deverão participar da pesquisa.
O diabetes tipo 1 atinge 10% da população com a doença, que é diagnosticada geralmente em crianças ou adultos jovens. Este é o tipo de diabetes mais complicado, porque as células que produzem insulina no pâncreas são completamente destruídas e não existe outra alternativa de sobrevivência do doente se não for pela reposição da insulina no corpo. ''O paciente fica dependende da insulina para viver'', explicou Edgard D' Avila Niclewicz, presidente do CDC.
O paciente que não se trata adequadamente pode ter complicações crônicas como cegueira (a diabetes é a segunda maior causa de cegueira no Brasil), insuficiência renal crônica (50% dos casos terminais), infarto e acidentes vasculares cerebrais (duas a quatro vezes mais frequentes em pacientes de diabetes), amputações não traumáticas (70% dos casos). ''A alternativa é fazer com que o diabético seja fiel ao tratamento. E não existe outra forma de tratamento, exceto a insulina'', contou Niclewicz.
O doente de diabetes tipo 1 sente cansaço físico, sede, as mucosas da boca e olhos ficam ressecadas. Depois do tratamento, a vida é praticamente normal. ''Eu como de tudo. Mas tinha que aplicar insulina antes de cada refeição. Agora eu aspiro por apenas cinco segundos a insulina'', disse ele. Estimativas demonstram que existam em todo o mundo cerca de 16 milhões de diabéticos tipo um. No Brasil, 7,6% da população com mais de 30 anos são portadores da doença.


