Curitiba- Imagine um medicamento personalizado, desenvolvido apenas para você, baseado nas suas características genéticas. A hipótese é uma das fixações atuais de certos setores da indústria farmacêutica. E um paranaense é um dos protagonistas desta discussão. O cientista curitibano Everson Nogoceke é diretor do Centro de Genômica Médica da Roche, uma das maiores fabricantes de remédios do mundo.
Nogoceke coordena projetos de colaboração com as áreas terapêuticas da Roche e atualmente está à frente de um projeto de desenvolvimento de tecnologia na área de sinalização celular por fosforilação de proteínas.
Graduado em Engenharia Química, com mestrado em Tecnologia Química, doutorado em Ciências Naturais (Bioquímica) e pós-doutorado em Biologia Molecular, o cientista já desenvolveu estudos nos Estados Unidos, na Alemanha e desde dezembro de 2001 trabalha na sede da Roche, em Basiléia, na Suíça.
''A maioria das indústrias, em diferentes níveis, está pesquisando o desenvolvimento de medicamentos personalizados, criados a partir da análise genética e de proteínas de cada pessoa. Os laboratórios reconhecem que a biologia das pessoas é diferente e deve ser considerada na terapia'', apontou Nogoceke.
De férias em Curitiba, Nogoceke explicou, em entrevista à Folha, que os laboratórios já fazem análise do DNA e de proteínas de pacientes em estudos clínicos, com o objetivo de levantar informação sobre genes que possam ser importantes na reação a terapias. ''Algumas coisas já estão sendo implementadas. A Roche lançou recentemente o Amplichip P450, produto que é usado como ferramenta na análise de genes para verificar a capacidade de metabolização de certas drogas'', disse Nogoceke.
A idéia de medicamentos ''individualizados'' é reflexo da necessidade de terapias mais eficazes, mas o cientista ressaltou que as pesquisas para o desenvolvimento de medicamentos a partir do DNA de cada pessoa estão muito no começo. ''Ainda há um alto índice de insucesso. Alguns especialistas acham que dentro de 20 anos não será possível implementar esse tipo de medicamento'', explicou.
''Entre a idéia e a confecção de uma droga que pode ser levada ao mercado, leva-se entre 10 e 12 anos. Em média, parte-se de 57 projetos, e a grande maioria fica pelo caminho'', justificou o cientista. ''A questão é: como o conhecimento que geramos vai funcionar na clínica prática diária? Atualmente, as pesquisas que consideram informações genéticas estão sendo desenvolvidas tão rapidamente que acaba sendo estabelecida uma distância muito grande entre pesquisadores e pacientes. É necessário difundir informação''.

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