Paranaense fala sobre experiência
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quinta-feira, 10 de julho de 1997
Cristine Pieske Curitiba 
Albari RosaDepois do sustoEliana Oda e a filha Letícia, ontem em Curitiba. A funcionária do INSS disse que ninguém chorou ou gritou. Acho que depois desta perdi definitivamente o medo de viajar de aviãoOs três curitibanos que estavam no vôo 283, da companhia aérea TAM, querem apenas esquecer. Dois deles - Antônio Keichi Sato e Eliana Braga Oda, ambos funcionários da superintendência regional do INSS - estavam sentados nas fileiras 16 e 17, muito próximos ao engenheiro Fernando Caldeira, única vítima fatal. A terceira passageira chama-se Maria das Graças Martins.
Após a explosão, que segundo os passageiros provocou um som muito forte, a primeira lembrança é da sensação de uma imensa lufada de ar entrando no avião, acompanhada do barulho das turbinas.
Eliana conta que sua primeira reação foi permanecer sentada, sem sequer mexer. Não sei dizer se eu estava paralisada pelo pânico ou se tinha medo de cair também. Ela afirma que ninguém gritou ou chorou. Apenas algumas crianças ficaram mais assustadas.
O auditor Antonio Keichi Sato lembra que sua primeira reação foi fazer o sinal da cruz, enquanto pensava na família. Eu tinha a impressão que o avião estava caindo, inclinado para o lado do buraco. Mesmo assim, Sato afirma que não pensou que iria morrer. É tudo tão rápido e assustador que torna-se impossível fazer qualquer raciocínio.
A outra passageira curitibana, Maria das Graças Martins, estava sentada na parte dianteira do avião, e acompanhou o esforço da comissária de bordo em tranquilizar as pessoas. No início estava nítido que ela imaginava que o avião iria cair, mas mesmo assim tentava nos transmitir calma, lembra.
Assim que desceu do avião, em Congonhas, Eliana diz que a primeira coisa que pensou foi terminar a viagem até Curitiba em um ônibus. Ela e os outros dois funcionários do INSS tentaram superar a experiência ruim e voltaram à cidade de avião, outro Fokker 100 da TAM. Eles embarcaram cerca de duas horas depois do acidente, e chegaram a Curitiba às 13 horas.
Quando desceram do avião em Curitiba, os três passageiros dizem que a primeira vontade foi abraçar os parentes e chorar. Ontem, abraçada à filha Letícia, de 11 anos, Eliana brinca: Depois dessa, acho que perdi completamente o medo de viajar de avião.


