Paranaense está vivendo mais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de dezembro de 2008
Andréa Lombardo 
Curitiba - Entre 1991 e 2007, a expectativa de vida ao nascer da população paranaense aumentou quatro anos, oito meses e cinco dias. Passou de 69,43 anos, no início da década de 90, para 74,10 anos, no ano passado, superando o acréscimo registrado nos demais estados do Sul, onde a esperança de vida já era maior. Santa Catarina aumentou de 70,81 anos para 75,27 anos e Rio Grande do Sul de 71.10 para 75 anos, no mesmo período. Já a média brasileira passou de 67 para 72,57 anos - um aumento equivalente a cinco anos, seis meses e 26 dias.
Na divulgação da chamada Tábua de Vida, feita ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) observa que ''se as mortes por causas externas, particularmente as violentas, entre a população jovem masculina, não tivessem sua atual dimensão, a esperança de vida dos brasileiros poderia ser mais elevada em cerca de dois anos.''
A relação entre a mortalidade de homens e mulheres com idades entre 20 a 24 anos passou de 3,34 em 1991 para 4,20 em 2007. A leitura feita pelo IBGE é que a chance de um homem morrer nessa faixa etária era, em 2007, quatro vezes maior que a de uma mulher no mesmo grupo etário. No Paraná, a relação passou de 2,66 para 3,85, em 16 anos, o que representou um aumento de quase 45%. A taxa ficou acima da registrada em Santa Catarina (3,57) e Rio Grande do Sul (4.04). A sobremortalidade masculina continua sendo mais elevada no Sudeste (4,99).
Segundo o gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE, Juarez de Castro Oliveira, se fossem eliminados os altos índices de morte por causas externas (violência urbana, acidentes de trânsito, acidentes de trabalho, afogamentos etc.) entre os homens jovens, o brasileiro poderia projetar mais 2 ou 3 anos de vida. Os homens que atingem 60 anos conseguem se aproximar mais das mulheres na esperança de vida.
Usando dados do Ministério da Saúde em relação a 2005, Oliveira mostrou que 91% dos homicídios ocorridos naquele ano tiveram homens como vítimas. Entre as mulheres, numa proporção muito menor, os acidentes de trânsito ficam em primeiro lugar entre as mortes por causas externas. Segundo ele, essas mortes violentas atingiram 1,5 milhão de famílias em 2005 com todas as consequências econômicas e sociais da perda repentina de um parente ou a prisão do causador da morte. ''Perder uma pessoa de repente não é algo trivial. Estamos perdendo pessoas em idade produtiva e anos de vida média em função da persistência dos altos índices de violência no País'', destacou Oliveira.


