|
  • Bitcoin 102.802
  • Dólar 5,3317
  • Euro 5,5605
Londrina

Geral

m de leitura Atualizado em 09/03/2022, 15:05

Paranaense está no grupo de brasileiros que foi resgatado pela FAB

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de março de 2022

Vítor Ogawa - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Divulgação/Murilo Koefender Maia
menu flutuante

O paranaense Murilo Koefender Maia, que fugiu da guerra na Ucrânia, está entre os brasileiros resgatados pelo avião da FAB Força Aérea Brasileira (FAB)  e que está a caminho do Brasil. A previsão é que o voo chegue ao País na quinta-feira (10). "Para conseguir integrar esse voo da FAB, meu professor mandou mensagem para a embaixada, para nos inscrever no voo de repatriação. Nós estamos bem e estamos tranquilos que em breve faremos nosso embarque", destacou o jogador de futebol. " De acordo com Maia, as cenas mais difíceis que ele presenciou foram as separações de famílias. "Homens ficando e deixando mulheres e filhos atravessarem a fronteira e a desorganização dos soldados ucranianos na condução da saída da fronteira", destacou.

Maia fotografou o ônibus que o transportou até o aeroporto Maia fotografou o ônibus que o transportou até o aeroporto
Maia fotografou o ônibus que o transportou até o aeroporto |  Foto: Divulgação/Murilo Koefender Maia
 

Ele ressaltou que a primeira coisa que vai falar para a sua familia quando chegar ao Brasil é apaziguar a ansiedade pela situação dele. "Vou tranquilizá-los e também mantê-los informados que o conflito segue acontecendo e não é pelo fato de eu retornar que o pior já passou. O conflito segue ocorrendo", enalteceu.

Murilo fez a base no Atlético Paranaense, jogou no Bielawianka, Polônia, em 2018. Atuou na Alemanha no Kinzenbach, em 2019. Em 2020 ficou sem time por causa da pandemia e não pode retornar para a Alemanha.  Em 2021, atuou no Prudentópolis. "Infelizmente não encontrei nenhuma equipe no período que fiquei lá na Ucrânia, fiz somente uma pré-temporada, que foi interrompida pelo conflito. Fiquei quase um mês. Cheguei dia 6 e fugi dia 24", ressaltou Maia.

 

Ele reportou sobre a sua expectativa em relação ao voo. "Está sendo tranquilo, ficamos desde o dia 4 num hotel e estamos seguindo para o embarque em breve."

 

Ele explicou que o momento mais tenso em toda essa trajetória de fuga. "A parte mais difícil foi a travessia a pé com minha mala com as rodinhas quebradas. E também a noite, a manhã e a tarde que passamos no frio para tentar atravessar a fronteira no meio da multidão. Em seguida, a nossa dificuldade foi para encontrar uma estadia em um local apropriado."

 

A sua mãe, a advogada Angélica Koefender Maia, explicou que seu filho estava na Ucrânia com um treinador brasileiro e um grupo de jogadores fazendo uma pré-temporada visando testes no futebol europeu. "Ele e todos os demais tiveram sonhos interrompidos pela guerra. Ninguém imaginava o que podia acontecer. Ele, os demais colegas e dois professores conseguiram sair no primeiro momento da guerra." Eles se deslocaram até a fronteira com a Polônia em uma van e queriam chegar até a cidade de Medika, na Polônia. "Porém, havia um congestionamento imenso e eles precisaram fazer uma boa parte da caminhada a pé até chegarem à fronteira.", destacou a advogada. Na fronteira eles enfrentaram uma espera de aproximadamente 18 horas, devido ao número de pessoas que estava no local para cruzar. "Esta noite foi a de maior angústia para nós, pais e parentes, porque não sabíamos se a Polônia iria receber os refugiados e as pessoas que estavam procurando abrigo, ou mesmo se fechariam a fronteira. No caso deles, como não são cidadãos ucranianos, eles não teriam para onde retornar, porque não havia mais onde se hospedar devido ao contingente de pessoas. Eles não teriam para onde ir", declarou Angélica.

LEIA TAMBÉM:

+ Avião da FAB pousa na Polônia para repatriar brasileiros

"Eles conseguiram cruzar no dia seguinte, após essas 18 horas de espera." Nas duas primeiras cidades que procuraram na Polônia também não havia mais hospedagem.   "Eles passaram mais uma noite em trânsito até que conseguiram chegar à cidade de Cracóvia para poder ter um descanso após cruzar a fronteira", destacou a mãe do atleta.

Ela explicou que antes dos primeiros confrontos o grupo já tinha feito contato com a embaixada brasileira na Ucrânia e, posteriormente, na Polônia, buscando orientações sobre como poderiam retornar ao Brasil se houvesse um voo de repatriação.  "Eles conseguiram ser inseridos nesse voo."

Ela explicou que o segundo momento mais tenso para eles e para a família foi quando ameaçaram atacar uma usina nuclear na Ucrânia. "A notícia não se mostrou verdadeira. Foi apenas o prédio ao lado. Naquele momento tememos pelo pior, com o ingresso de outros países (na guerra), pela situação que poderia ocorrer, inclusive na Polônia", declarou Angélica. "Todos esses dias têm sido de bastante tensão e angústia, mas agora estamos esperando que ele, os demais amigos e todos os outros brasileiros que conseguiram acesso a esse voo consigam chegar ao Brasil em segurança e a melhor noite será quando ele passar em casa, com certeza"

"Conforme o relato que eles nos passaram, foi difícl ver mulheres sozinhas, ou com crianças pequenas, pessoas idosas, e pessoas portadoras de deficiência cruzando e fazendo esse caminho sozinhas e desamparadas, em extrema insegurança. Os homens ucranianos eram impedidos de cruzar a fronteira. Eles precisavam ficar para lutar na guerra. Essas despedidas eram muito tristes." Ela relata que as pessoas que chegavam à Polônia com dinheiro da Ucrânia não tinham como fazer o câmbio da moeda. "Mesmo que as pessoas chegassem com uma quantia em dinheiro na Polônia, quando chegavam lá essa moeda não tinha mais valor. Havia um desamparo muito grande das pessoas. Foram cenas bem complicadas que eles presenciaram."

"Fica a reflexão de que a guerra não faz sentido.  O fato das pessoas não conseguirem negociar ou conversar e colocar jovens na frente de batalha atendendo interesses que a gente não sabe de quem são mostra que a guerra é a estupidez humana. Não há perspectiva de paz por enquanto. O país está totalmente arrasado. A gente fica na esperança de que se possa chegar ao término desta situação." Ela espera que o povo ucraniano possa ter tranquilidade também. "Há a certeza de que as guerras e as armas nunca mudaram o mundo para  a frente. A gente fica rezando para que este conflito chegue ao fim e que as famílias dos que estão lá refaçam as suas vidas.", destacou a advogada.

"Esses meninos que estão chegando ao Brasil estão em busca disso. O sonho de trabalho no futebol. Esse trabalho que é tão competitivo e disputado. Eles foram em busca desse sonho e voltam ao Brasil para continuar nessa jornada e nessa luta, buscando um empresário e um time para seguir o seu trabalho", completou.   

Receba nossas notícias direto no seu celular. Envie também suas fotos para a seção 'A cidade fala'. Adicione o WhatsApp da FOLHA por meio do número (43) 99869-0068 ou pelo link wa.me/message/6WMTNSJARGMLL1.