Curitiba - A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Paraná deverá encaminhar pedido para que o governo brasileiro se manifeste formalmente frente ao governo da Indonésia para apelar em favor da vida do brasileiro condenado à pena de morte naquele país. O paranaense Rodrigo Gularte, 32 anos, foi condenado à morte por fuzilamento na última segunda-feira, por um tribunal na Indonésia, por tráfico de drogas.
Gularte foi detido no dia 31 de julho de 2004, no aeroporto de Jacarta, quando tentava entrar no País com seis quilos de cocaína escondidos em uma prancha de surfe. Ele estava acompanhado de amigos, mas assumiu a culpa sozinho perante as autoridades da Indonésia. O país é muçulmano e reprime com pena de morte o consumo e tráfico de drogas.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB PR, Cleverson Marinho Teixeira, disse ontem à Folha que agora é hora da sociedade brasileira se expressar e pedir uma interferência formal do governo brasileiro. De acordo com Teixeira, ele vai encaminhar essa solicitação ao presidente da OAB PR, Manoel de Oliveira Franco, que por sua vez deverá enviar o pedido para o presidente nacional da OAB Roberto Busato.
Na época da prisão de Gularte, a OAB-PR manteve contavo com a família que mora em Curitiba. Ontem, a casa permaneceu fechada e as informações que circulavam eram de que a família havia viajado. O irmão, Cassio Gularte, não quis se manifestar.
De acordo com Teixeira, na época da prisão de Gularte as autoridades brasileiras acharam que não era o momento de o governo se manifestar porque poderia ser interpretada como uma interferência e a iniciativa não seria bem recebida pela Indonésia. Mas agora já aconteceu um julgamento formal, o governo brasileiro deve saber quais são as alternativas para apelação.
''De acordo com a cultura brasileira, onde o rapaz foi criado, a pena de morte extrapola qualquer sentido de justiça'', afirmou. ''Não podemos deixar o caso correr sem que haja um envolvimento da sociedade brasileira e a OAB representa a sociedade'', acrescentou.

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