Curitiba- Um dispositivo que leva o complicado nome de Active Implantable Colostomy Occluder (AICO), criado pelo médico e bioengenheiro Josuê Bruginski de Paula, pode melhorar a qualidade de vida de pacientes colostomizados. O aparelho, implantado sob a pele no lugar do ostoma (abertura no abdômem para eliminação das fezes), funciona como um esfíncter artificial -músculo que controla o fechamento do intestino.
O projeto do pesquisador paranaense é um dos seis finalistas da 10 edição do prêmio da Fundação Altran -uma das maiores empresas de consultoria em tecnologia e inovação do mercado europeu. Os outros cinco pesquisadores são franceses. A expectativa de Bruginski é que a premiação possa financiar a continuidade das pesquisas para que o projeto do AICO II (segundo protótipo do esfíncter artificial) seja concluído e o aparelho seja colocado no mercado, entre o final de 2009 e o início de 2010.
Bruginski vem desenvolvendo suas pesquisas, desde 1990, durante o mestrado e depois no doutorado em engenharia elétrica, na Universidade de Campinas (Unicamp). Nesse período, observou o registro de, pelo mesmo, outras 25 tentativas de produção de dispositivos com a mesma função, mas nenhuma delas com resultado. ''Não tinha nenhuma abordagem que tentasse imitar o esfíncter natural'', disse ele. Em seu projeto, o princípio básico foi o de substituir o músculo por uma fita e a força do músculo por um motor elétrico.
O primeiro protótipo (AICO I) desenvolvido por Bruginski já foi testado em intestino isolado de animal e se mostrou eficiente ao ser submetido a pressões superiores às provocadas pelos gases. O aparelho tem um orifício circular onde o intestino é conectado. Uma fita, tracionada por um minimotor elétrico, envolve e fecha o intestino. O acionamento se dá por controle remoto.
De acordo com Bruginski, a intenção com o AICO II é aprimorar o dispositivo reduzindo em um terço seu tamanho (9,85 cm de comprimento por 3,3 cm de altura) e, pela metade, seu peso (194 gramas). Uma das possibilidades é substituir o revestimento em silicone, usado no primeiro protótipo, por titânio (material mais leve e durável).
Os projetos finalistas ao prêmio serão apresentados no dia 7 de setembro, em Paris, a um júri composto por 15 especialistas internacionais e independentes, ligados à pesquisa científica, biologia, medicina e engenharia. O vencedor será anunciado no dia 1º de outubro. O prêmio, de R$ 1 milhão, é convertido em consultoria.
Para que o AICO II chegue aos colostomizados, explicou Bruginski, são necessárias, ainda, pesquisas com animais. ''Só com esse resultado podemos partir para experimentos com voluntários'', afirmou. Ele estima que o custo final para o paciente fique em torno de US$ 1,5 mil.
Mesmo que não ganhe o prêmio, o pesquisador tem esperança que outros investidores acreditem em seu projeto. Ele reclamou da escassez de recursos no Brasil e da falta de regularidade de financiamentos para o desenvolvimento tecnológico em saúde. ''A pesquisa é apartidária. É altruísta por natureza para o benefício da comunidade. Não pode ficar ao sabor de decisões políticas'', argumentou.

mockup