A coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná programou para hoje celebrações em várias regiões do Estado para comemorar o Dia Internacional da Luta pela Terra. A data lembra, também, o quinto aniversário da tragédia de Eldorado dos Carajás, no Pará, quando 19 sem-terra foram mortos durante conflito com a Polícia Militar. Em Curitiba, será celebrada missa, às 19h30, na Catedral Metropolitana, para lembrar os ‘‘mártires da terra’’.
A maior parte da programação acontece em Rio Bonito do Iguaçu (a 125 km a oeste de Guarapuava, região Centro-Oeste), onde o movimento comemora os cinco anos do assentamento Ireno Alves, com um culto ecumênico a partir das 9 horas. Segundo Ireno Prochnow, da direção estadual do MST, o local foi escolhido por ser um marco do movimento no Paraná e, também, o maior assentamento do Brasil, onde vivem, desde 1995, 1,2 mil famílias.
No período da tarde, o MST fará um ato público na praça central da cidade. Prochnow disse que a manifestação vai denunciar a violência e perserguição praticada contra trabalhadores sem-terra. ‘‘Queremos denunciar, também, a impunidade dos responsáveis pelos crimes cometidos contra os trabalhadores’’, destacou, lembrando que no ano passado 16 sem-terra foram assassinados no Estado.
O líder Edson Marcos Bagnara, da coordenação estadual do movimento, afirmou que no ano passado 1,5 mil famílias foram assentadas no Estado. Entretanto, segundo ele, a maioria foi proveniente da regularização de assentamentos antigos. Ele avalia que a violência, com o uso de força policial, aumentou e que não existe vontade política para promover a reforma agrária no Paraná. ‘‘Desde o final do ano passado não houve avanço nas negociações com o ouvidor agrário’’, criticou.
Bagnara afirma que, desde 99, há uma tentativa de isolar o MST da sociedade. Segundo ele, estão vinculando o MST com roubo de gado, assassinatos, roubo de madeira e até tráfico de drogas para denegrir e enfraquecer o movimento.
No Dia Internacional da Luta pela Terra, o que o MST no Paraná espera, diz ele, é que se faça uma reforma justa, que beneficie as famílias que dependem da terra e que se punam os culpados pelos crimes nos latifúndios, como o caso de Carajás.’’ (Andréa Lombardo)

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