Secretaria de Saúde enviou reforço de doses da vacina para todas as regionais de saúde do Estado
Secretaria de Saúde enviou reforço de doses da vacina para todas as regionais de saúde do Estado | Foto: Jaelson Lucas/ANPr



Curitiba - Após a confirmação do primeiro caso autóctone de febre amarela no Paraná
desde 2008, o governo do Estado informou que intensificou a ação de imunização contra o vírus nos municípios do Litoral e RMC (Região Metropolitana de Curitiba). A meta é vacinar toda a população na faixa etária entre 9 meses e 59 anos, 11 meses e 29 dias. A imunização é a única forma efetiva de enfrentamento do vírus.

As duas regiões, que somam 36 cidades, não estavam entre as áreas de recomendação de vacinação da febre amarela do Ministério da Saúde até junho de 2018 - logo, possuem uma média mais baixa de cobertura vacinal. Os índices variam entre 60% e 78%. A média do Estado é de cerca de 85%, segundo o diretor do Centro Epidemiológico da Sesa (Secretaria Estadual de Saúde), João Luís Crivellaro.

O foco nessas regiões também se dá pela proximidade com o Estado de São Paulo, onde a confirmação de circulação do vírus é mais antiga, segundo a Sesa. O governo enviou reforços de doses da vacina às 22 regionais da secretaria. Segundo a pasta, o Estado dispõe de um estoque estratégico de 300 mil doses.

ANTONINA

O primeiro caso autóctone de febre amarela confirmado no Paraná em dez anos é de um homem de 21 anos, morador de Antonina. Nesta quarta-feira (30), o quadro de saúde do jovem, internado no Hospital Regional do Litoral, era moderado e estável, segundo a Sesa.

Ele relatou às autoridades de saúde que foi pescar em uma região de mata em Guaraqueçaba, indicando que a infecção teria ocorrido na área. No entanto, ele também circulou por áreas rurais na região de Antonina, onde poderia ter entrado em contato com o mosquito - o que torna impossível uma confirmação do local exato da infecção.

"É um vírus que está circulando em toda a região. Por isso, a orientação para toda a população é se vacinar", disse o secretário de Saúde de Antonina, Odileno Garcia Toledo. As ações de enfrentamento à doença no município consistem em mutirões de
vacinação e bloqueio de acesso à área de Mata Atlântica onde houve morte de macacos pelo vírus.

Na semana passada, exames confirmaram a infecção em dois bugios encontrados mortos no Morro do Queimado, no sul da Baía de Antonina. A circulação nos parques naturais da região foi proibida preventivamente pelo IAP (Instituto Ambiental do Paraná).

NOTIFICAÇÕES

A Sesa também informou que havia 29 notificações sob investigação nesta quarta (30). O diretor do Centro Epidemiológico do Paraná disse que o alto volume de notificações é um indício de que o trabalho de vigilância está sendo feito, e que o dado não deve assustar a população. "É um sinal de sensibilidade dos serviços de saúde", disse Crivellaro, em entrevista à FOLHA. "Isso mostra que a vigilância está atenta. É isso que o Ministério da Saúde e o Estado esperam. Quanto mais cedo consegue-se identificar, melhor - não importa a quantidade", disse.

"A epidemiologia tem de ser ativa para ter condições de detectar riscos de surto e epidemias. Quando ela é passiva, não se consegue identificá-los", explicou. O diretor ressaltou que, em caso de alerta ou sinais da doença, não deve haver automedicação. "O importante é coletar o material em tempo oportuno", disse.

O número de notificações deve se manter neste patamar até o fim do período de risco de surto ou epidemia, em agosto. A Sesa vai divulgar boletins às quintas-feiras à tarde.

Também foi criado o Coes (Centro de Operações em Emergências em Saúde), um grupo multidisciplinar que vai centralizar as informações do enfrentamento à febre amarela no Estado neste período. O grupo vai atuar em conjunto com secretarias municipais, traçando estratégias, dando assistência e capacitando profissionais de saúde.

RETORNO

O último caso autóctone de febre amarela no estado ocorreu em 2008, em Laranjal (Centro), quando dois irmãos foram infectados. Um deles morreu. O Estado não tinha casos autóctones em humanos desde 1966.

Segundo Crivellaro, a presença do vírus no Estado segue uma dinâmica natural dos mosquitos, que procuram áreas de Mata Atlântica, rios e litoral - também habitat dos macacos. Os insetos podem percorrer até três quilômetros por dia, de acordo com o diretor.

Já havia previsão de que o vírus percorresse a rota de corredores ecológicos de São Paulo até o Paraná. "Estávamos preparados", disse Crivellaro. "Estamos antevendo uma possível entrada do vírus no Estado. Por isso, já em janeiro de 2017, fizemos essa estratégia de intensificar a vacinação em áreas rurais, principalmente nas regiões de Londrina, Jacarezinho e Maringá, até Foz do Iguaçu", contou.

O diretor orienta a população a avisar as autoridades de saúde caso encontrem macacos mortos, para que possam ser feitos exames e providências sejam tomadas em caso de confirmação da presença do vírus. Os animais não são transmissores da doença e não devem ser mortos.

Imagem ilustrativa da imagem Paraná vai intensificar vacinação contra febre amarela
| Foto: Folha Arte
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