Paraná vai incinerar 3 toneladas de medicamentos
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 14 (AE) - O Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar) vai incinerar cerca de 3 toneladas de medicamentos que perderam a validade, a maioria sem sequer ser distribuída para a população. Entre os remédios estão alguns para controle da hanseníase, além de milhares de contraceptivos. "São produtos impróprios para o consumo humano interditados pela Vigilância Sanitária por mudança na orientação terapêutica ou por distribuição indevida do Ministério da Saúde", disse o secretário estadual de Saúde, Armando Raggio.
Alguns dos medicamentos que lotam as prateleiras do Cemepar foram recolhidos de farmácias, já com prazo vencido. Mas outros, como os que se destinam ao tratamento da hanseníase, nem tinham saído do depósito. De acordo com Raggio, o Ministério da Saúde mudou a terapêutica, que é feita agora com um coquetel de medicamentos, sobrando os remédios específicos que já estavam no estoque. Além disso, os casos de hanseníase têm acompanhamento direto e os remédios só são liberados mediante pedido.
Em relação ao espermicida Nonoxinol, a secretaria argumenta que houve uma distribuição indevida pelo ministério. O secretário disse que, em meados de 1997, fez um pedido de 2,9 mil bisnagas, que seriam utilizadas dentro do Programa Saúde da Mulher. No entanto, o ministério mandou 240 mil bisnagas. Os lotes começam a vencer este mês e parte dele está incluído no volume que será destruído. "Em outubro de 97 eu denunciei o escândalo", afirmou Raggio. Um ano depois, o ministro José Serra informou que estava apurando as denúncias. De acordo com o secretário, não foi possível repassar o excedente para outros Estados. "Todos estavam inundados com Nonoxidol", disse.
Raggio disse que nos últimos quatro anos foram distribuídas 5 mil toneladas de medicamentos à população. "O importante é que nenhum medicamento faltou na nossa Farmácia Básica", acentuou. Segundo a secretaria, o volume de remédios que será destruído representa 0,07% do total distribuído. Ainda de acordo com a secretaria, os padrões da política de saúde pública admitem uma taxa residual aceitável de até 1%.


