Paraná vai cadastrar criadouros com mais de 400 aves
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sexta-feira, 11 de novembro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Apesar de especialistas considerarem remota a possibilidade da gripe aviária atingir o Brasil, técnicos da Secretaria de Estado da Agricul tura e Abastecimento e representantes do setor produtivo paranaense estão afinados nas medidas de prevenção. Até o final do ano, o governo espera ter cadastradas todas as propriedades com plantéis acima de 400 aves, usando sistema de geoposicionamento (GPS - Global Positioning System).
De acordo com o chefe da Seção de Sanidade Avícola da secretaria, Odilon Douat Baptista Júnior, a iniciativa é pioneira na América do Sul. Apenas países da União Européia e Estados Unidos fazem o monitoramento via satélite como recurso de defesa sanitária. Sabendo a localização exata dos estabelecimentos é possível estabelecer barreiras para isolar possíveis focos de doença.
O cadastramento dos criadouros de aves de corte (cerca de 8,5 mil) já está sendo providenciado pelos próprios estabelecimentos. As informações serão repassadas à Secretaria de Agricultura, que irá padronizá-las. O trabalho conta com a parceria o Sindicato e Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Sindiavipar), que cedeu um equipamento de GPS para a secretaria. Segundo Baptista Jr., a secretaria será responsável pelo cadastramento dos cerca de 2 mil criadores de avestruz, codornas e outras aves.
Baptista Jr. adiantou que está nos planos da secretaria o aumento no número de fiscais regionais e a instituição de uma unidade veterinária por núcleo regional, especializada em sanidade avícola, para desenvolver ações preventivas e emergenciais quando necessário para evitar a proliferação de doenças. Uma equipe será, especialmente, treinada para definir ações sanitárias no caso de ocorrência da gripe aviária no Paraná.
Segundo o técnico, o Centro de Investigação em Medicina Aviária, de Londrina, irá receber aporte de recursos do governo do Estado para otimizar seus trabalhos e tornar-se referência no diagnóstico da influenza aviária.
Outra medida a ser adotada, em uma situação emergencial, lembrou Baptista Jr., é a definição de corredores para trânsito das aves. Existe, ainda, a intenção de se criar um fundo para eventual necessidade de indenização de criadores, que teria base inicial de R$ 15 milhões.
A ocorrência de gripe aviária seria um desastre para o Brasil, que é o segundo maior produtor mundial de carne de frango, perdendo apenas para os Estados Unidos. No cenário nacional, o Paraná seria o mais prejudicado em um eventual embargo da produção do Estado, pois lidera o mercado em volume produzido e exportado. A projeção é de fechar 2005 com uma produção de 1,8 milhões de toneladas, o que representa uma participação de 25% do total produzido no País.
Um dos fatores que torna pouco provável a disseminação da influenza aviária no Brasil é que o País não é rota de aves migratórias, que são hospedeiras do vírus.


