Curitiba - A preocupação do governo do Paraná é evitar que o surto de cólera, que apareceu nas vilas próximas ao Rio Emboguaçu, em Paranaguá, no litoral do Estado, onde vivem aproximadamente quatro mil pessoas, se espalhe por outras regiões do Estado e fora dele. Cerca de 1,5 mil caminhoneiros chegam e saem diariamente da cidade neste período de escoamento da safra agrícola. Além disso, muitas pessoas desceram ao litoral para passar o feriado de Páscoa. "Ainda continuamos com a esperança de manter a doença restrita a essa população", diz o secretário de Estado da Saúde, Armando Raggio.
Após uma semana da primeira notificação, foram confirmados 107 casos da doença. Apenas seis pessoas permaneciam internadas hoje. A secretaria informou que antes das primeiras notificações, três pessoas morreram vítimas da doença. Hoje de madrugada, uma mulher morreu na Santa Casa de Paranaguá e, mesmo não tendo os sintomas clássicos da cólera, a secretaria determinou que sejam feitos exames laboratoriais.
Para evitar que outras pessoas se contaminem, o governo do Estado mobilizou várias secretarias. Agentes de saúde e voluntários de Paranaguá têm percorrido diariamente os diversos bairros para ensinar ações básicas de higiene pessoal e dos alimentos. Um dos principais conselhos é para que as pessoas tomem apenas água tratada e, de preferência, com duas gotas de água sanitária para cada litro. Também são aconselhadas a comer somente frutos do mar de procedência conhecida e bem cozidos, fritos ou assados.
Na rodoferroviária de Curitiba, agentes continuam entregando folhetos explicativos aos passageiros que embarcam para o litoral. Na BR-277, em direção a Paranaguá, foram montadas barreiras sanitárias, onde funcionários da Saúde passam informações sobre como se prevenir e como agir caso percebam os sintomas da doença, sobretudo a diarréia. "É preciso se reidratar, e o refrigerante é um bom hidratante, enquanto se procura fazer diagnóstico", diz o secretário.
A maior suspeita dos técnicos da Saúde é que o vibrião da cólera tenha sido trazido por algum dos caminhoneiros que vieram da região centro-oeste do País. Uma das nascentes do Rio Emboguaçu fica atrás do pátio de triagem, onde os caminhões ficam estacionados. Os dejetos dos banheiros são jogados diretamente no rio, sem nenhum tipo de tratamento. Além de os moradores da Vila Guarani, a mais atingida pela cólera, terem contato direto com o rio, também se alimentam de produtos recolhidos ali, principalmente o marisco bacucu e ostras.
Em Paranaguá, mais de 95% da água distribuída na cidade é tratada, no entanto a coleta de esgoto não chega a 10% e o lixo é colocado a céu aberto. Raggio teme que o vibrião possa ser trazido para Curitiba e também atingir locais onde não haja tratamento de esgoto. "É preciso ficar atento para os primeiros sintomas e procurar tratamento", aconselha.
Em todo o Estado foram mobilizados os funcionários da Vigilância Sanitária, que passaram a visitar restaurantes e postos de combustíveis às margens das rodovias. "Estamos preocupados com a higiene dos alimentos e dos dejetos", diz o secretário. Segundo ele, os agentes de Saúde já vinham sendo treinados para o atendimento a doentes de cólera desde 1991, quando ela foi detectada na região amazônica. "Lamentavelmente, chegou ao Sul."

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