Paraná tem nove ataques a caixas em 16 dias
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sábado, 17 de janeiro de 2015
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Londrina - O Paraná registrou nove ataques a caixas eletrônicos nos 16 primeiros dias do ano. É mais do que um ataque a cada dois dias. Desse total, um foi arrombamento e seis foram explosões, e os demais foram outras modalidades de assalto.
A mais recente das explosões aconteceu ontem de madrugada na Rua José Sbralcheiro, no Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), onde marginais encapuzados e armados com fuzis renderam um vigilante e explodiram dois terminais de autoatendimento do banco Bradesco. Testemunhas relataram ter escutado oito explosões.
Segundo o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região, João Soares, a preferência dos bandidos por caixas eletrônicos localizados em grandes cidades ou em suas regiões metropolitanas acontece porque em um único ataque é possível explodir dois ou três equipamentos desses de uma vez, enquanto em cidades pequenas só existe um caixa eletrônico por agência bancária.
Ele ressaltou que a segurança dos caixas eletrônicos deveria ser uma obrigação dos bancos e não deveria ser atribuída à segurança pública. "Isso deveria ser feito utilizando principalmente dispositivos tecnológicos avançados", apontou.
Ele ressalvou, entretanto, que deve haver uma integração de esforços para que esse tipo de ação seja coibida. "Seria preciso fiscalizar a entrada de armas e explosivos pela fronteira com o Paraguai, o Exército deveria ser mais rigoroso na fiscalização do uso de explosivos em pedreiras e o Congresso Nacional deveria criar uma legislação federal específica contra esse tipo de crime, com penas mais severas", sugeriu.
Soares destacou que, no ano passado, foram registrados 353 ataques contra agências bancárias no Paraná, dos quais 190 foram explosões e 97 arrombamentos. Em 2013 foram registrados 310 ataques, dos quais 110 foram explosões e 58 arrombamentos.
No fim do ano passado, o secretário de Estado de Segurança Pública, Fernando Francischini, criou uma força-tarefa comandada pelo Departamento de Inteligência do Estado do Paraná (Diep), para definir estratégias de combate a furtos e explosões de caixas eletrônicos em todo o Estado. Mas João Soares criticou as reuniões realizadas pelo secretário, afirmando que até agora o resultado foi infrutífero e nada de novo foi feito desde que ele assumiu o posto. "Eu participei das reuniões, mas até agora nada mudou", criticou. Com isso, ele afirma que a vida dos vigilantes e das pessoas que residem perto desses caixas eletrônicos corre risco.
"Essas quadrilhas são especializadas e são compostas por 11 ou 12 pessoas. Elas utilizam armamento pesado, com fuzis do tipo AR15 ou metralhadoras do tipo 762", apontou.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que seus bancos associados vêm acompanhando com extrema preocupação os ataques a caixas eletrônicos em todo o País. Segundo a entidade, os prejuízos decorrentes das explosões afetam a todos igualmente, "a população que recorre aos 166 mil equipamentos para acessar os serviços financeiros, realizar pagamentos e ainda efetuar saques, tanto no horário do expediente bancário como além desse período", e as instituições financeiras.
De acordo com a federação, nesses assaltos e arrombamentos que usam força desproporcional, com armamentos pesados, de elevado poder de destruição, a ação de segurança permitida pela legislação aos estabelecimentos comerciais e bancos é insuficiente frente à violência empregada. "É necessário combater as causas desses crimes, quer seja impedindo que os bandidos tenham acesso fácil a explosivos, como vem acontecendo nos últimos anos, quer seja desbaratando as quadrilhas, o que se faz com ações de inteligência. Também é necessário dificultar o acesso dos bandidos ao produto do crime", considerou a Febraban.
A federação destacou que, no campo da segurança, os bancos brasileiros trabalham em duas frentes. Primeiro, procuram atuar em parceria com governos, polícias (Civil, Militar e Federal) e com o Poder Judiciário, propondo novos padrões de proteção, muitos deles resultantes dos trabalhos desenvolvidos na Comissão de Segurança Bancária da Febraban, da qual participam representantes das principais instituições financeiras do País. "Os bancos colaboram nas investigações das polícias estaduais e Federal dando todo o suporte para as autoridades", apontou.
Em segundo lugar, diz a nota, os bancos fazem investimentos elevados em segurança física. "Em 2003, as instituições financeiras investiram R$ 3 bilhões. Esse valor triplicou em dez anos passou para R$ 9 bilhões em 2013 , o que corresponde a um crescimento de 200%. O resultado desse mix de esforços é a expressiva redução dos assaltos a bancos. Levantamento com 17 instituições financeiras, que incluem os principais bancos de varejo do País, indica que até julho de 2014 foram registrados 209 assaltos e tentativas de assaltos. Em 2013, foram 449 assaltos, o que corresponde a uma queda de 76,4% em relação ao total de 1.903 assaltos e tentativas de assaltos verificados em 2003", descreveu a entidade.


