Curitiba- O Paraná, Sul de São Paulo e Norte de Santa Catarina têm o maior índice de tumor supra-renal do mundo. O tumor da cortical da adrenal (TCA), também chamado de tumor da supra-renal, é raro em crianças e adolescentes. Mundialmente, corresponde a apenas 0,2% das neoplasias abaixo dos 20 anos de idade. Nessa região, no entanto, sua incidência é até 15 vezes maior do que no resto do mundo.
Em outros países, a incidência é de 0,3 caso por ano para cada 1 milhão de crianças menores de 15 anos. No Paraná, são pelo menos cinco casos por ano por 1 milhão de crianças menores de 15 anos. Estudos recentes feitos pela Unidade de Endocrinologia Pediátrica (UEP) do Departamento de Pediatria do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) apontaram um índice ainda maior no estado: de 6,8 casos/1 milhão de menores de 15 anos.
Alertado com o grande número de casos registrados, o médico Romolo Sandrini Neto, coordenador da UEP, conta que estuda o assunto desde 1965. Hoje, a unidade conta com uma equipe de pesquisadores. Em 1999, chegou-se à causa da doença. Trata-se de uma alteração no gene p53, cuja função seria controlar a multiplicação das células. Com a alteração genética, o gene perde sua capacidade e deixa de inibir a multiplicação das células.
''É uma alteração genética inédita, que só ocorre aqui. Até então não havia sido encontrada nenhuma outra causa de câncer tão específica'', explica Sandrini. No Paraná e região, constatou-se que, ao contrário dos outros países, 90% dos tumores supra-renais são causados por mutação genética e apenas 10% têm outras causas. Por esse motivo, o assunto chamou a atenção de outros centros de pesquisa, entre eles o St. Jude Children's Research Hospital, de Memphis, Tennessee, EUA, com quem o UEP mantém um convênio de cooperação científica para o tratamento de tumor de adrenal.
''O mais preocupante é que esse tumor atinge principalmente crianças com menos de quatro anos de idade'', diz a médica Rosana Marques Pereira, da equipe da UEP, explicando que bebês estão mais sujeitos a alterações genéticas. Outra característica, de causa desconhecida, é que 70% dos pacientes são meninas.
O que não se sabe, ainda, é o porquê da alta prevalência na região. Uma das hipóteses levantadas afirma que a causa seria ambiental, em função do uso de pesticidas. Essa teoria foi afastada depois que os pesquisadores souberam de pessoas que já tinham a alteração genética antes mesmo do uso de pesticidas na agricultura. Pesquisadores de St. Jude também descobriram que crianças afetadas apresentaram, no útero da mãe, diferenças de temperatura do feto ou de Ph.

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