Paraná tem 'deficit' de 5,3 mil vagas nas carceragens
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de janeiro de 2018
Rafael Machado - Grupo Folha 
A Adepol (Associação dos Delegados de Polícia do Paraná) encaminhou um relatório à Comissão Interamericana de Direitos Humanos sobre a superlotação carcerária em delegacias da Polícia Civil. Segundo o documento, as carceragens abrigam 9.737 detentos, mas contam com apenas 4.417 vagas, o que representa um deficit de 5.328. Além disso, a entidade ressalta as condições consideradas "deploráveis" e situações em que "os presos fazem necessidades fisiológicas em marmitas usadas para a alimentação".

Das 10 subdivisões policiais existentes no Estado, Londrina é a que apresenta o pior panorama em números absolutos. São 1.186 vagas e 2.398 presos, o que corresponde a uma superlotação de 1.212 detentos. Em seguida aparece a região de Cascavel (Oeste), onde 1.304 pessoas dividem espaço para apenas 317. "A situação está insustentável. Os policiais estão em desvio de função, tendo que cuidar de presos ao invés de exercer a função para qual foram contratados, que é a de investigação", desabafou o presidente da Adepol, João Ricardo Noronha.
Ele já foi informado de que a Comissão de Direitos Humanos recebeu o relatório e espera que uma decisão saia o mais rápido possível. "O Paraná pode ser condenado pela Corte a resolver o problema carcerário. Queremos que o governo pare de improvisar e comece a agir", afirmou Noronha. No documento enviado ao órgão internacional, a Adepol incluiu a sugestão de realizar uma audiência sobre o tema em Bogotá, na Colômbia.

O vice-presidente do Sidepol (Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná), Ricardo Casanova, conhece bem esta realidade. Em março de 2017, a entidade fez um levantamento do número de delegados, escrivães e investigadores em Londrina. Além da 10ª Subdivisão (SDP), os seis distritos policiais foram incluídos na pesquisa. Na época, havia 14 delegados, 26 escrivães e 104 investigadores. "O deficit é gigantesco em todas as categorias. Em comparação com o número de habitantes (11 milhões), continuamos com o pior retrospecto do Brasil, perdendo até para estados do Norte e Nordeste. São apenas 400 delegados. Santa Catarina, por exemplo, que tem a metade da população paranaense (6 milhões), possui perto de 700, quase o dobro", expôs.
A Sesp (Secretaria Estadual de Segurança Pública) informou por meio de nota que, assim como a direção da Polícia Civil, "tem conhecimento da superlotação nas carceragens das delegacias do Estado". O órgão apontou que "houve avanços desde 2011". Para a secretaria, "a solução são as 14 obras de construção e ampliação de unidades prisionais, quando sete mil novas vagas serão abertas".


