Paraná tem 54 espécies sob ameaça
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sexta-feira, 23 de maio de 2003
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Pelo menos 54 animais, entre aves, mamíferos e répteis, que estão sob ameaça de extinção, conforme lista divulgada anteontem pelo Ministério do Meio Ambiente, são encontrados no Paraná. O comércio ilegal das espécies está entre os fatores que contribuíram para a redução das populações. Especialistas da área, no entanto, apontam as alterações no meio ambiente como principal fator de ameaça à fauna brasileira.
A bióloga Elenise Sipinski lembra que, nos últimos 30 anos, o Paraná perdeu cerca de 93% de toda a cobertura vegetal. Isso colocou os animais sob risco de desaparecer e continua ameaçando aves e mamíferos de grande porte que dependem de áreas conservadas para sobreviver.
Uma das espécies mais ameaçadas do Paraná é o mico-leão-da-cara-preta, apesar de estar numa área preservada, lembra Elenise. O risco é maior, explica a bióloga, porque existem poucos exemplares da espécie numa pequena distribuição geográfica. O primata já foi alvo de traficantes e ainda está sob ameaça de ser capturado.
O mico-leão-da-cara-preta foi descoberto em 1990, na Ilha de Superagüi, em Guaraqueçaba, Litoral Norte do Estado. O Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE) Organização Não-Governamental (Ong) de proteção ao meio ambiente vem desenvolvendo, desde 1995, estudos sobre a espécie que possam servir de base para um plano de manejo conservacionista.
Elenise coordena o Projeto de Conservação do Papagaio de Cara Roxa da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS). A ave está na lista dos animais sob ameaça de extinção, na categoria vulnerável. Os pesquisadores, segundo ela, estão estudando a biologia da espécie e vão fazer a contagem das aves para estimar a população existente no Estado. O habitat do papagaio-de-cara-roxa é o Litoral Norte.
No caso do papagaio, o fator de risco é o comércio. Por isso, Elenise acredita nas campanhas de educação ambiental e de combate ao tráfico como importante arma contra a extinção de animais. O tráfico de animais, lembrou, é o terceiro maior do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas.
Exemplares do papagaio-de-cara-roxa apreendidos em blitze ambientais vivem hoje no Zoológico de Curitiba. A SPVS em parceria com a prefeitura irão pesquisar a reprodução das aves. Para isso, está sendo construído um viveiro, com recintos para casais, que será inaugurado no início de junho.
O trabalho de acompanhamento dos papagaios na natureza e em cativeiro quer evitar que essas aves tenham o mesmo fim do guará, que foi extinto no Estado. A ave existia em abundância no Litoral, tanto que inspirou o nome de duas cidades: Guaratuba (muito guará) e Guaraqueçaba (ninho de guará). Segundo Elenise, por causa de suas penas avermelhadas o guará foi indiscriminadamente capturado e acabou desaparecendo do Paraná. Hoje a espécie ainda é encontrada em São Paulo e no Maranhão.


