Paraná tem 34 aeroportos sem voos comerciais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de abril de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Com apenas cinco aeroportos aptos a receber voos comercias dos 39 instalados no Estado, o Paraná está em vias de "ganhar" mais um. O aeródromo de Toledo, na região Oeste, teve recentemente a capacidade de pousos e decolagens reclassificada pela Agência Nacional de Aviação Comercial (Anac). O terminal, antes autorizado apenas a receber voos executivos, poderá ser ponto de aterrissagem de aeronaves de médio porte, com até 120 passageiros.
A reclassificação da Anac baseia-se nas condições do pavimento da pista do aeroporto de Toledo, cuja resistência passou de 8 para 33 PCN, sigla em inglês que significa Número de Classificação de Pavimento. Trata-se do primeiro passo para que o município de mais de 130 mil habitantes faça parte das cidades com terminais com voos regulares no Paraná. Hoje, dos aeroportos presentes em 39 municípios do Estado, apenas os de Curitiba, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu e Cascavel operam comercialmente, o equivalente a 12%.
"É o caminho para que tenhamos um aeroporto viável em Toledo, se houver interesse de empresas aéreas em ofertar voos ali", diz o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, José Augusto Souza, ao ponderar que ainda será preciso investir significativamente na área para torná-la uma alternativa das rotas de Cascavel e Foz do Iguaçu. "Temos que fazer inúmeras modificações antes de operar. É preciso adquirir equipamentos de segurança e e adequar as instalações para embarque e desembarque", assinala.
O especialista em aeroportos Mauro Martins, professor do curso de Ciências Aeronáuticas da Universidade Tuiuti do Paraná, observa que o Paraná está bem servido em termos de transporte aéreo nas principais cidades, exceto Ponta Grossa (Campos Gerais), que acaba sendo abrangida pelo fluxo do aeroporto Afonso Penna, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). A ampliação da aviação regional é bem-vinda, mas precisa, na opinião dele, ir além da conveniência para o público. "O governo federal quer que qualquer cidadão esteja a menos de 200km do aeroporto mais próximo. Se a pessoa está em Cornélio Procópio (Norte), por exemplo, vai para Londrina pegar o avião. Se está em Umuarama (Noroeste), vai para Maringá. Não adianta ter um aeroporto comercial entre Londrina e Maringá, ainda mais com a duplicação das rodovias. As duas cidades já são grandes o suficiente e têm seus públicos diferenciados", afirma.
Por essa razão, Martins observa que o aeroporto de Toledo não tem garantida por si só sua viabilidade do ponto de vista econômico. Para ele, o município está muito próximo de Cascavel, uma cidade de maior porte e movimentação financeira. "Um aeroporto tem uma estrutura que, comercialmente, custa caro", pondera. Hoje, a carência maior de aeroportos nestas condições no Paraná, analisa o especialista, está nas regiões do Centro-Sul e Sudoeste do estado. "Ainda temos alguns brancos em Francisco Beltrão, Guarapuava e Pato Branco", observa.
INVESTIMENTOS
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Toledo calcula que as intervenções no aeroporto local demandem em torno de R$ 500 mil. "Por isso, precisamos ter certeza de que há interesse das empresas para viabilizar as mudanças", pontua José Augusto Souza. O município está aguardando uma resposta do governo federal sobre investimentos para Toledo dentro do plano de expansão da aviação regional, a fim dar um encaminhamento para a questão.
Uma das principais vantagens em relação ao funcionamento do aeródromo da cidade do Oeste seriam as condições de operação. A média de fechamento devido a intempéries climáticas é de três dias por ano. "O aeroporto de Cascavel fecha muito, é comum as pessoas comprarem passagem para lá e terem que descer em Foz", comenta o secretário.


