Apucarana – O Paraná tem apenas 16 Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) em funcionamento, o que representa 5,8% do total dos 272 mini-hospitais abertos pelo Ministério da Saúde. A intenção do governo é chegar a, no mínimo, 336 no Brasil.
Número que esbarra muitas vezes na ineficiência administrativa dos municípios. A falta de planejamento provoca atraso no funcionamento das unidades. Só na Região Metropolitana de Londrina (RML) são três exemplos.
Em Londrina, a licitação para equipar a UPA ocorreu com oito meses de atraso. A UPA de Cambé não foi sequer mobiliada. A unidade de Ibiporã, cuja construção deveria terminar em dezembro, só deve ser colocada em operação no final deste ano.
Na relação de cidades com UPA em funcionamento listadas no site do Ministério da Saúde, apenas dois municípios são do norte do Paraná. Apucarana inaugurou sua unidade em março do ano passado, um imóvel amplo com cerca de 1,2 metros quadrados. A UPA veio a somar aos 32 postos municipais de saúde, e é a única unidade 24 horas de Apucarana.
Atualmente, o mini-hospital registra uma média de 350 atendimentos por dia. Tem 10 leitos adultos e três infantis, além de quatro consultórios e laboratórios. Quatro médicos trabalham a cada turno.
"A UPA traz dinamismo e serve como entreposto de integração para o Samu. Para o atendimento pré-hospitalar vem sendo importante porque a unidade pode atender até 80% dos traumas do serviço", explicou o secretário de Saúde, o médico Hélio Kissina.
"Você cria um fluxo de pacientes, que não são de alta complexidade, sem sobrecarregar o hospital de referência. Ela (UPA) é equipada e ajuda bem", enfatizou o médico do Samu, Charles Rissato. O Hospital da Providência registrou redução de 30% na procura pelo pronto-socorro, o único da cidade.
A UPA também atende procura espontânea, que é alta. Na sala de espera, um cartaz alerta que o atendimento pode demorar conforme a classificação de risco. Porém, durante a visita da FOLHA a espera não ultrapassava 30 minutos. "Venho aqui porque é até mais rápido que o postinho. Fiquei só 15 minutos ali fora", ressaltou a dona de casa Vanessa Cristina Padilha. Ela acompanhava o filho de oito anos, que estava com febre alta.
Esta procura espontânea revela um sério problema. A rede municipal de saúde está com déficit de pessoal. "Temos déficit de 40% de médicos nas UBSs. Isso é um problema que vem afetando o País inteiro, aqui não é diferente. A intenção é abrir concurso público ainda este ano", disse o secretário Kissina.

Duas em Maringá
Maringá é outra cidade com UPA na região. Uma não, a cidade já tem duas unidades. A UPA da zona norte completou um ano de inauguração na última semana com média de 12,7 mil consultas por mês e 13,3 mil procedimentos.
A outra UPA foi inaugurada em janeiro. "As unidades trouxeram grande benefício para a cidade, organizando a porta de entrada do serviço de urgência e emergência. Além disso elas trazem retaguarda para aquela população que sente falta de profissionais nas unidades de saúde dos bairros", explicou o secretário de Saúde, Antônio Carlos Nardi.
A Prefeitura de Maringá realizou nos últimos dias um concurso público para contratação de médicos. A intenção é regularizar as 66 equipes do Programa Saúde da Família (PSF).

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