A Comissão Pastoral da Terra (CPT) anunciou ontem que um relatório elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre tortura vai citar duas denúncias registradas no Paraná envolvendo trabalhadores sem-terra. O documento será apresentado na próxima semana em Genebra, na Suíça, pelo relator especial da ONU, o inglês Nigel Rodley. O capítulo reservado ao Brasil tem o maior número de relatos sobre desrespeito aos diretos humanos: 180 registros.
Os casos no Estado envolvem policiais militares que participaram de ações de despejo em duas fazendas ocupadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em 1999. Valdir Bordignon, Lorival Lesse e Aristide dos Santos Lisboa afirmam que foram espancados pelos policiais em 29 de abril na Fazenda Santa Maria, em Ortigueira (130 km ao norte de Ponta Grossa). O outro caso que o relatório aborda trata do sem-terra Geraldo José dos Santos, 70 anos.
Segundo o MST, Santos era um dos acampados da Fazenda Cobrinco, em Santa Cruz do Monte Castelo. Em 21 de maio de 1999, a PM despejou os invasores do local, mas componentes da tropa teriam agredido o sem-terra, que foi hospitalizado com fraturas na coluna e hoje está impedido de trabalhar. A inclusão dos dois casos paranaenses no relatório vai servir para que a CPT fundamente pedidos de punição da ONU contra o governo brasileiro e de apoio às vítimas.
A notícia de que o Paraná será citado no relatório foi contestada pelo assessor de assuntos fundiários do governo do Estado, Antônio Carlos Coelho. Ele disse que os quatro sem-terra citados nas denúncias foram examinados por médicos-legistas. ‘‘Nenhum deles apresentou ferimentos provocados por tortura’’, afirmou Coelho. O assessor estranhou que representantes da ONU não procurassem o governo do Estado para colher informações sobre as acusações. ‘‘O relatório da ONU não pode ser parcial. Eles deveriam nos procurar para ouvir todos os lados desta questão.’’

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