Paraná reúne 63% das ações de roubos de cargas no Sul
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terça-feira, 09 de maio de 2000
Valmir Denardin De Curitiba 
O Paraná concentrou, no ano passado, 63% das ocorrências de roubo de cargas registradas no Sul do País. O Estado registrou cerca de 130 das 200 ações da região que inclui ainda Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O prejuízo das 2,5 mil transportadoras paranaenses somou R$ 6 milhões em 99. No País, foram 4.970 ocorrências em 99, com um prejuízo de R$ 380 milhões.
Mas a estimativa das seguradoras é de que, entre 25% e 30% dessas ocorrências sejam, na verdade, um golpe. Transportadores, atacadistas e motoristas estariam simulando o roubo para o recebimento do seguro das cargas.
Em virtude disso, as seguradoras estão restringindo o tipo de produtos cobertos por apólice (recusando cigarros e alguns medicamentos, por exemplo), e exigindo medidas de segurança, como escolta e monitoramento por satélite, disse à Folha ontem, por telefone, o empresário Artur Santos, vice-presidente da Pamcary Seguros, sediada em São Paulo e responsável por 50% das cargas seguradas no País.
Santos vai depor hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa que investiga o roubo de cargas no Paraná. A empresa que ele dirige tem filial em Curitiba. Além do empresário, os deputados vão ouvir também o delegado-adjunto da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, Jairo Estorrilho.
O diretor-executivo da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar), Sérgio Malucelli, afirmou que o golpe do seguro realmente existe é gera altíssimo lucro. O valor de uma carga de medicamentos, por exemplo, pode chegar a R$ 1,2 milhão. Além de remédios, os produtos mais visados pelas quadrilhas de roubo ou desvio de cargas no Paraná são eletrônicos, defensivos agrícolas e têxteis.
Segundo Artur Santos, a intensificação do combate a esses dois crimes em São Paulo e no Rio de Janeiro provocou, nos últimos anos, a migração das quadrilhas para Estados vizinhos, como o Paraná. Ao mesmo tempo que essas ocorrências se estabilizam no Sudeste, elas crescem no Sul e no Nordeste.
Instalada há duas semanas, a CPI do Roubo de Cargas já recebeu uma lista com 327 nomes de envolvidos com quadrilhas que agem no Estado. Entre os denunciados cujos nomes não foram divulgados estão membros das polícias Civil e Militar, políticos e empresários paranaenses.


