O Paraná concentrou, no ano passado, 63% das ocorrências de roubo de cargas registradas no Sul do País. O Estado registrou cerca de 130 das 200 ações da região – que inclui ainda Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O prejuízo das 2,5 mil transportadoras paranaenses somou R$ 6 milhões em 99. No País, foram 4.970 ocorrências em 99, com um prejuízo de R$ 380 milhões.
Mas a estimativa das seguradoras é de que, entre 25% e 30% dessas ocorrências sejam, na verdade, um golpe. Transportadores, atacadistas e motoristas estariam simulando o roubo para o recebimento do seguro das cargas.
‘‘Em virtude disso, as seguradoras estão restringindo o tipo de produtos cobertos por apólice (recusando cigarros e alguns medicamentos, por exemplo), e exigindo medidas de segurança, como escolta e monitoramento por satélite’’, disse à Folha ontem, por telefone, o empresário Artur Santos, vice-presidente da Pamcary Seguros, sediada em São Paulo e responsável por 50% das cargas seguradas no País.
Santos vai depor hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa que investiga o roubo de cargas no Paraná. A empresa que ele dirige tem filial em Curitiba. Além do empresário, os deputados vão ouvir também o delegado-adjunto da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, Jairo Estorrilho.
O diretor-executivo da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar), Sérgio Malucelli, afirmou que o golpe do seguro realmente existe é gera ‘‘altíssimo lucro’’. O valor de uma carga de medicamentos, por exemplo, pode chegar a R$ 1,2 milhão. Além de remédios, os produtos mais visados pelas quadrilhas de roubo ou desvio de cargas no Paraná são eletrônicos, defensivos agrícolas e têxteis.
Segundo Artur Santos, a intensificação do combate a esses dois crimes em São Paulo e no Rio de Janeiro provocou, nos últimos anos, a migração das quadrilhas para Estados vizinhos, como o Paraná. Ao mesmo tempo que essas ocorrências se estabilizam no Sudeste, elas crescem no Sul e no Nordeste.
Instalada há duas semanas, a CPI do Roubo de Cargas já recebeu uma lista com 327 nomes de envolvidos com quadrilhas que agem no Estado. Entre os denunciados – cujos nomes não foram divulgados – estão membros das polícias Civil e Militar, políticos e empresários paranaenses.

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