Curitiba - O Paraná responde hoje por 5% a 10% dos casos de doenças do trabalho todo o País. Na esteira das mudanças no mercado de trabalho e das novas tecnologias, vieram novas enfermidades como depressão, transtornos mentais, câncer ocupacional e a LER/DORT. A competitividade internacional também leva a produzir mais para diminuir os preços, o que exige mais dos empregados. De acordo com dados do INSS, em 2008 ocorreram 57.057 casos registrados como acidente de trabalho no Paraná e 925 como doença do trabalho.
Ainda há doenças em processo de investigação. ''Hoje, as novas tecnologias como a nanotecnologia, podem trazer novos agravos, ainda em estudo, associados ao grande número de casos de câncer ocupacional'', disse o médico do trabalho e consultor para a área de Saúde e Segurança no Trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Zuher Handar.
Ele destacou que uma das grandes doenças é o medo do desemprego que traz estresse, depressão, aumento da hipertensão arterial e até uso de álcool e drogas. ''O trabalho precisa ser adequado ao trabalhador'', disse.
Zuher disse que o trabalhador também pode ter doenças que são tipicamente do trabalho, como as intoxicações por metais ou solventes ou outras substâncias químicas e aquelas que comprometem o pulmão por acúmulo de poeira, como a silicose (sílica) e a asbestose (amianto). São doenças antigas, mas ainda atingem os trabalhadores e podem levar ao câncer de pulmão. Na maior parte destes casos a doença leva para aparecer cerca de dez a 15 anos. ''O risco não está no trabalhador e sim no ambiente e no processo de trabalho'', afirmou.
Segundo informações do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná, ainda não é possível quantificar os processos trabalhistas relacionados a doenças do trabalho. Zuher alerta para a subnotificação dos casos e destaca a necessidade de melhorar as condições de trabalho e verificar o tipo de risco que o funcionário está exposto. Uma das soluções é a cultura da prevenção.
Zuher participa do encontro com médicos do Trabalho que debate o tema ''Ergonomia, Saúde Mental e Relações de Trabalho''. O evento integra o segundo Projeto Científico que reúne magistrados para discutir questões sobre o ambiente de trabalho. O seminário termina hoje.

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