Paraná registra suspeita de morte por febre amarela
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
Depois dos casos registrados em Goiás e no Distrito Federal, agora é o Paraná que entra na lista de estados com mortes que podem ter sido causadas pela febre amarela. No final da tarde de terça-feira, em Maringá, o empresário Almir Rodrigues da Cunha, 47 anos, morreu com sintomas da doença após permanecer dois dias internado no Hospital Santa Rita.
Ex-gerente de banco, Cunha tem família em Caldas Novas, no estado de Goiás, considerada área de risco pelo Ministério da Saúde e onde ele teria passado o período de 20 de dezembro a 1º de janeiro deste ano. Segundo as informações do hospital, o empresário deu entrada no final da tarde de domingo com sintomas semelhantes as de uma forte virose: febre, mal estar, dor no corpo, náusea e dor de cabeça. Da enfermaria, a evolução do quadro fez com que a equipe tivesse de transferi-lo para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), na terça-feira, onde faleceu em seguida, no fim do dia.
De acordo com o médico que o atendeu na UTI, José Ramos Martins, há chances remotas de os sintomas se referirem a outras doenças que não a febre amarela, como dengue hemorrágica, leptospirose e um tipo mais letal de hepatite. ''O mais provável é que tenha sido febre amarela, pois o diagnóstico clínico e epidemiológico é bastante compatível com essa doença. Mas a confirmação só teremos depois dos exames'', afirmou o médico, referindo-se às amostras de sangue encaminhadas pela Secretaria Municipal de Saúde ao Laboratório Central do Estado (Lacen), em Curitiba. A previsão é que em torno de 20 dias o laudo fique pronto. No hospital de Maringá, a equipe acredita que já na próxima semana venha a resposta.
Ramos contou que o quadro clínico de Cunha piorou muito rapidamente - a ponto, disse, de o empresário não conseguir sequer firmar as pernas poucas horas depois da internação. ''Foi fulminante. Mesmo a forma maligna (de manifestação da febre amarela) demora em média uma semana até o óbito, lembrando que em média 50% das vítimas desse tipo de fato morrem. No caso dele, diria até que a forma maligna foi extremamente maligna'', assustou-se.
Conforme o intensivista, mesmo que aparentamente se trate de um caso importado de febre amarela, a morte do empresário fez com que dezenas de pessoas buscassem informações ontem no hospital. ''Ligam para nós, preocupados, mas há que se frisar que esse pode ter sido um caso contraído pela forma silvestre, em região endêmica, e não pela forma urbana, que seria transmitida pelo (mosquito) Aedes aegypit, bem menos comum'', explicou Ramos, para ressalvar: ''Mas os órgãos de vigilância têm que estar em alerta pela prevenção no caso de, além da dengue, ter um surto de febre amarela da forma urbana: se hipoteticamente isso ocorresse, seria uma catástrofe''.
Sobre isso, o médico comentou que o perigo residiria na possibilidade de mosquitos Aedes, transmissores do vírus da dengue, entrarem em contato com sangue de pessoas contaminadas pelo vírus da febre amarela. Na forma silvestre, o reservatório do parasita é o macaco.
O corpo do empresário foi encaminhado ontem a Caldas Novas para o sepultamento. A FOLHA não conseguiu contato com familiares dele, mas um morador do município goiano contou à reportagem, por telefone, que a morte havia sido anunciada em uma emissora de rádio local.


